JF Diorio|Estadão
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Começa o Campeonato Paulista da perseverança no futebol feminino

Meninas vão atrás do título estadual, mas também correm pela valorização da categoria e por uma vida melhor

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2017 | 07h00

O Campeonato Paulista feminino de futebol começa neste sábado, e quase ninguém sabe. Atletas e clubes tentam dar mais um passo para a valorização da categoria. Para isso, apostam em um torneio cheio de novidades. Porém, como quase sempre ocorre, a ordem para elas é a de superar as dificuldades para conseguir mostrar valor dentro de campo. 

A competição terá 16 equipes, que foram divididas em dois grupos – a divisão foi regionalizada. Assim, Corinthians, Santos, Portuguesa e Juventus se enfrentarão na primeira fase. Como ocorre no masculino, existe uma disparidade técnica e financeira entre os times.

O modesto Taubaté, por exemplo, gasta R$ 190 mil por ano com o futebol das moças. O Santos, um dos mais estruturados, investe R$ 2,3 milhões. A diferença é brutal. “As empresas começam, aos poucos, a dar mais valor ao futebol feminino. A CBF e a Federação Paulista estão democratizando a modalidade”, comemora o técnico do Taubaté, Arismar Júnior – seu time tem 18 meninas com menos de 19 anos. 

Coordenadora do Departamento de Futebol Feminino da FPF, Aline Pellegrino destaca a força da competição e espera que o torneio seja equilibrado neste ano. “O Paulista chega a incomodar (em relação a competitividade) o Brasileiro. Temos sete clubes do Estado na Série A-1 do Brasileiro e mais dois na Série A-2. Teremos um equilíbrio grande, apesar das dificuldades”, diz a ex-zagueira do Brasil.

Apesar do otimismo, o lado financeiro pesa. O campeão não receberá premiação em dinheiro – terá direito só ao troféu. Também serão dados prêmios individuais, para artilheira, revelação e melhor técnico, mas nenhum deles em espécie. A esperança é que alguma empresa se interesse em patrocinar a competição durante sua realização. 

A meia e lateral-direito da seleção, Maurine, é um dos destaques do Santos. A equipe deverá mesclar titulares e reservas, já que disputará paralelamente o Campeonato Brasileiro. Maurine não quer ficar fora do Estadual. “A gente tem de dar a mesma importância, porque o Paulista é tão difícil quanto o Brasileiro”, explicou a santista. 

Sonho. Assim como os garotos, muitas meninas buscam uma vida melhor no futebol. É o caso, por exemplo, de Yasmim, lateral-esquerdo do Corinthians. A garota sonha em jogar na Europa e dar uma vida melhor para a família – pais (Carlos e Sônia) e os dois irmãos (Luiza e Juliano). O menino nasceu com paralisia cerebral e precisa de ajuda. “Eu quero jogar fora do Brasil um dia, até pelas dificuldades que temos aqui. Sofri preconceito no início da carreira, mas meus pais me ajudaram muito”, lembra a atleta, de 20 anos, que antes de chegar ao clube sofreu com as provocações dos meninos na escola. 

“A realidade da minha vida era apanhar jogando bola. Tomava muito empurrão, tapa, tudo. Sempre fui ‘invocada’ e ia para cima dos garotos. Quando a coisa apertava, os outros meninos me protegiam”, lembra. 

Leia a entrevista completa com Aline Pellegrino, coordenadora do Departamento de Futebol Feminino da FPF:

Por que a alteração para permitir seis substituições por jogo no Paulista?

Foi uma solicitação dos clubes, porque o Brasileiro começou em março e, por um período, os times disputarão os dois torneios juntos. Algumas equipes têm um grande número de atletas e poderão utilizar melhor o elenco.

Qual é a premiação para times e jogadores que se destacarem no Estadual?

Teremos entrega de taça, seleção do campeonato, prêmio para a artilheira, melhor técnico e revelação. Não temos patrocinador do torneio, como no masculino, então não temos premiação em dinheiro por enquanto. 

Falta apoio dos times tradicionais do futebol masculino à modalidade?

Não queremos tirar dinheiro de uma área que não é a nossa. Temos de caminhar com nossas próprias pernas e mostrar que o futebol feminino tem sua qualidade. 

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