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Começo de ano

Palmeiras e Eduardo Baptista passam a ser testados, de fato, a partir de hoje na Libertadores

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2017 | 06h00

Os amistosos e as partidas disputadas até agora pelo Campeonato Paulista serviram como pré-temporada para o Palmeiras. Uma espécie de aquecimento para o que de fato importa. O campeão brasileiro – e sobretudo o técnico Eduardo Baptista – a partir de hoje coloca à prova a própria capacidade, no desafio com o Atlético Tucumán, pela Libertadores. Investimentos de direção e patrocinador, expectativas de torcedores, projeções de analistas – tudo estará sob observação rigorosa assim que o time pisar no gramado do estádio argentino.

O bom senso indica que é cedo para exigir alto desempenho verde. Há setores indefinidos, ocorreram baixas significativas, o treinador testa alternativas no defesa, no meio e no ataque. O Palmeiras não deslanchou de imediato, para frustrar previsões otimistas, tampouco emperrou. Tem jogado para o gasto, diante de adversários locais, sem expressão, e se deu mal no clássico com o Corinthians, na derrota por 1 a 0, o ponto mais baixo até aqui. 

Há margem, portanto, para erros – e eles virão, sem dúvida. No entanto, atletas e Eduardo têm de conviver com a pressão de bastidores e arquibancadas. O Palmeiras tem sido, nos últimos três anos, o clube que mais gasta na formação de elenco. Num cálculo ligeiro, está em meia centena os profissionais que desembarcaram no Palestra Itália. Fora o dinheiro que entra pelas diversas fontes de renda. Não tem como, criou-se a fama de time potente e rico; a cobrança vem pela bola. 

As contas para classificação, na primeira parte do torneio sul-americano, não costumam ser complicadas. Num raciocínio simples, três vitórias em casa e três pontos como visitante garantem passagem para a etapa seguinte. No mínimo, como segundo colocado. Ou seja, empate na noite desta quarta-feira não desmerece ninguém. 

Há um porém: precisa jogar bem. Ou ao menos o suficiente para transmitir confiança. O palmeirense anda com um pé atrás, olha de soslaio, tem a pulga atrás da orelha. Sente a necessidade de um show de bola, que ainda não veio. Existe a promessa do técnico de colocar o time à frente, e tem cacife para bancar a aposta.

A defesa não lhe dá dor de cabeça, pois Prass, Jean, Dracena, Vitor Hugo e Egídio carregam entrosamento do ano passado. Felipe Melo funciona como o protetor da zaga, o que libera um pouco Zé Roberto para criar, em função que deveria ser de Guerra, ainda aquém do esperado. Michel Bastos, Dudu e Keno têm recebido chances constantes. Borja chegou outro dia, fez dois gols e ganhou lugar de titular. Tem arranque, habilidade e chute certeiro. 

Não há exagero em imaginar o Palmeiras com trajetória gloriosa na edição de 2017 da Libertadores. Na papel, aparece no bloco principal, assim como Flamengo e Galo, ambos com estreia marcada também para hoje e igualmente diante de argentinos – San Lorenzo (no Maracanã, finalmente liberado) e Godoy Cruz (em Mendoza), respectivamente. Precisa demonstrar na prática. E aí são outros 500. Se acumular fiascos na Copa Libertadores, a corneta toca, a cuíca ronca e o tempo fecha. Pode cravar.

TITE E AS APARÊNCIAS

Muita gente incomodou-se com a vibração de Tite, no gol de Jô que deu ao Corinthians vitória sobre o Santos, na noite de sábado, em Itaquera. O treinador da seleção saltou, abraçou-se a dirigente, festejou a vantagem. Parecia mais “um do bando de loucos”.

Recebeu críticas pela euforia, pois o cargo que ocupa lhe exige neutralidade e comportamento fleumático. Para não soar parcial ou desrespeitoso. Pois não senti nada disso. Tite foi só espontâneo, embora eufórico, e não feriu ética. Melhor um exagerado que exprime sua paixão às claras do que um dissimulado que referenda falcatruas às escondidas. 

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