Comercial reforça a torcida da Ponte

O grande evento deste domingo em Ribeirão Preto é o confronto entre Botafogo-SP e Ponte Preta, jogo de ida de uma das semifinais do Campeonato Paulista. Mas muitos ?bafudos? estarão no estádio Santa Cruz, local da partida. É esse o apelido dos torcedores do Comercial, que está na série A2 e só deixa a seus fãs a opção de torcer contra o grande rival local. Alguns falam em convivência pacífica, outros acham que pode haver confusão. A resposta será dada às 16h.Às 10h, o Comercial enfrenta o Santo André em seu estádio, situado a poucas quadras do campo do Botafogo. Muita gente vai fazer rodada dupla, saindo de um jogo, almoçando e partindo para o outro. A idéia é ajudar a torcida da Ponte a fazer frente aos ?chulés?, como são chamados os torcedores do Botafogo. Há mais uma semelhança: branco e preto são as cores tanto da Ponte como do Comercial.Aparecido Pereira de Souza é um destes fanáticos pelo Comercial. "O jogo aqui acaba meio-dia, aí eu dou um rango e vou para lá", diz o senhor de 54 anos, que trabalha no restaurante Horaciu´s, em frente ao estádio do Comercial: "Torcer para o Comercial está f... Então, tem que torcer contra o Botafogo. A turma deles passa aqui e tira o maior sarro da gente." ?Secar? os ?chulés? sim, mas com cautela. E Aparecido conta que vai tirar a camisa do Comercial na hora do almoço: "Gosto de ficar sossegado." É bom mesmo, porque alguns rivais vão ao estádio dispostos a ser maus anfitriões. "Se um cara com a camisa do Comercial passar do meu lado e não for meu amigo, tiro a camisa dele, queimo e ele ainda apanha", diz o botafoguense José Roberto Delibo, 32 anos. Na mesa do Bar do Perereca, a garrafa de cerveja, o capacete de motociclista e o radinho, para ouvir o jogo ou jogar na cabeça de alguém...O Perereca fica na Vila Tibério, tradicional reduto de botafoguenses, e exibe na parede um grande quadro de uma pantera, símbolo do time. Perereca é Antônio Carlos Rodrigues, nascido no bairro e dono do bar há três anos. Sua estratégia é abrir as portas em dia de jogo, quando os concorrentes fecham para ir ao estádio: "Na hora do jogo, não vem quase ninguém. Mas depois enche e vai até a noite."Neste domingo, às 16h, o Carlinhos vai estar no Perereca. O bar não tem tevê a cabo e só vai passar Corinthians e Santos. Mas é isso mesmo que ele quer: evitar sofrimento.Carlos Moretti, 42 anos de puro fanatismo, também não quer nem ver o jogo. Muito menos perder sua manhã torcendo contra o Comercial, que corre o risco de cair para a terceira divisão: "A última vez que fui no campo deles foi há uns três anos, quando o Botafogo perdeu do Vila Nova. Meu pai era bafudo fanático, mas eu não gosto de lá não."Com bronca da imprensa da cidade, que segundo ele "é comercialina", Carlinhos não se conforma com os torcedores do Comercial, "que ainda acham que estão melhores que a gente".Com tanta rivalidade local, parece que não sobra espaço para a disputa com os ponte-pretanos, que prometem levar cinqüenta ônibus a Ribeirão. Mas não é bem assim. Tanto que Evaldo Felício, ao contrário do que costuma fazer, não vai levar seu filho ao jogo: "Esse é de risco. Aonde vai, a torcida da Ponte quebra tudo." Evaldo, 39 anos, estava neste sábado na Toca da Pantera, bar onde os botafoguenses se reúnem para beber cerveja, exibir suas bandeiras, entoar gritos de guerra e comer a pizza de sardinha de dona Lena. Do outro lado da rua, o antigo campo do Botafogo, o Luiz Pereira, ocioso desde 68.Um torcedor exibe fotos de seu carro esporte vermelho, com o distintivo do Botafogo e algumas chamas estampadas no capô. E Evaldo mostra o cofrinho de madeira, no formato do distintivo, em que junta dinheiro "para comprar Washington", atacante da Ponte Preta que é artilheiro do campeonato. Mas garante que aposta na "molecada" do Botafogo, que ganha pouco e está querendo mostrar serviço para os times grandes.O adversário é a Ponte, mas o eterno inimigo é o Comercial. E as piadas proliferam. Tem a do cidadão que foi comprar camisa do Botafogo. Custava R$ 29,90. Não tinham troco e deram uma do Comercial para inteirar. Tem também a do ingresso para o jogo do Comercial, que custa R$5. Mas quem estiver vestindo camisa e calção do time não paga. E quem estiver de chuteira entra no campo para jogar.

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