Comissão da Fifa defende regra a favor de jogadores locais

'Regra 6+5' é vista pela máxima entidade do futebol com forma de retomar a 'identidade' dos clubes europeus

05 de fevereiro de 2008 | 17h54

A Comissão de Futebol da Fifa, formada por jogadores, jogadoras e representantes do esporte, se mostrou nesta terça-feira favorável à chamada 'regra 6+5', que obrigaria as equipes a escalar pelo menos seis jogadores locais. A comissão se reuniu nesta terça, em Zurique, sob a presidência do alemão Franz Beckenbauer, membro do Comitê Executivo da Fifa. "Em princípio, a regra 6+5 [seis estrangeiros e cinco locais] é necessária e aconselhável de um ponto de vista moral, mas há algumas reservas em relação à sua efetividade", afirmou a comissão, em comunicado. O presidente da Fifa, Joseph Blatter, é o maior defensor da regra, e a apresentará ao congresso do organismo, que será realizado na cidade australiana de Sydney, em 29 e 30 de maio. "Com o passar dos anos e das décadas, ao contratar mais e mais jogadores estrangeiros, os clubes perderam gradualmente sua identidade, primeiro localmente e regionalmente, e agora inclusive no âmbito nacional, já que em alguns casos todos os jogadores provêm do exterior, e até de outros continentes", afirmou Blatter. Segundo Blatter, a Fifa não busca um enfrentamento com organizações supranacionais, como a União Européia (UE), mas tenta convencê-las do enfoque da Fifa, em referência expressa à menção da especificidade do esporte presente no novo Tratado Europeu.  Beckenbauer apóia a tese de Blatter. "Vivemos em um mundo globalizado, mas não acho que os mercados liberalizados sejam o futuro adequado para o futebol. Também se pode ter sucesso utilizando jogadores locais, o dinheiro não garante o êxito", assegurou.  A efetividade da regra, no entanto, foi questionada por alguns membros da comissão de futebol, que temem que os clubes mais poderosos sigam contratando os melhores jogadores do mercado, impedindo os clubes pequenos e médios de ter acesso a bons jogadores que possam pagar, como já ocorre atualmente.

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