Comissão de Arbitragem da CBF vê exagero nas críticas

As recentes polêmicas de arbitragem em jogos do Brasileirão são pontuais, na avaliação do presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Sérgio Corrêa. Ele reforça que a cada fim de semana "são quase 60 jogos" que passam pelo crivo da comissão, incluindo as quatro divisões nacionais, e que os problemas são numericamente pequenos. "Somos responsáveis por uma ''Copa do Mundo'' a cada sexta, sábado e domingo", explicou.

SÍLVIO BARSETTI, Estadão Conteúdo

23 Setembro 2014 | 18h45

O próprio presidente da CBF, José Maria Marin, tem demonstrado preocupação com o nível da arbitragem no futebol brasileiro. "Obviamente que não estamos contentes. Eu não posso dizer que estou satisfeito. Precisamos melhorar", chegou a dizer o dirigente, nesta terça-feira, em Zurique, na Suíça.

Sérgio Corrêa acredita numa "dimensão exagerada" de críticas ao trabalho dos árbitros, embora admita falhas. "Somos o patinho feio da história. Tudo é culpa dos árbitros. Não é assim. Temos analisado com critérios lances controversos e quase sempre constatamos que a arbitragem agiu corretamente", afirmou.

Como exemplo, citou os dois pênaltis a favor do Corinthians no clássico de domingo com o São Paulo e as três expulsões de jogadores do Botafogo em partida da semana passada contra o Bahia. "Analisamos, com nossos instrutores, e vimos que foram tomadas as decisões acertadas", defendeu Sérgio Corrêa.

Ele disse que a orientação da Fifa, desde 2013, para diferenciar "bola na mão" e "mão na bola" ainda está em fase de maturação. Ressaltou que o texto da regra não foi alterado. "Houve uma ampliação do entendimento do que pode ser considerado infração ou não nesse caso", contou. E atribuiu alguma hesitação em árbitros mais jovens em caracterizar como faltosos lances similares. "Estamos numa fase de adaptação, o árbitro tem uma cultura, uma interpretação, e isso demanda algum tempo. É a mesma situação de quando houve as mudanças no recuo de bola para o goleiro. O conceito demorou a ser assimilado."

Para ele, "há um barulho" em excesso am algumas partidas por causa da pressão de jogadores mais experientes em árbitros novos. "Alguns atletas se aproveitam, e tentam obter vantagem. Quando encontram árbitros mais cascudos, não têm essa coragem", afirmou Sérgio Corrêa.

O dirigente ainda declarou que daria nota 7 à arbitragem brasileira atualmente, destacando que 20 ex-árbitros, hoje instrutores da CBF, avaliaram a atuação de seus pares na Copa do Mundo deste ano com uma nota inferior: 6,5. "Estamos num processo permanente de aprimoramento. Só neste ano a CBF promoveu 82 cursos de arbitragem em todo o Brasil, atendendo às 27 federações estaduais", revelou Sérgio Corrêa.

Mais conteúdo sobre:
futebol CBF arbitragem

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.