Lucas Figueiredo/CBF
Lucas Figueiredo/CBF

Comissão de ética cita apenas 'conduta inapropriada' e pede suspensão de Caboclo por 15 meses

Confirmação do afastamento ainda precisará ser referendada pela Assembleia Geral, composta pelos presidentes das 27 federações estaduais

Marcio Dolzan / RIO, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2021 | 18h44
Atualizado 25 de agosto de 2021 | 12h56

A Comissão de Ética da Confederação Brasileira de Futebol pediu punição de 15 meses de afastamento para o presidente da entidade, Rogério Caboclo, acusado por uma funcionária de ter praticado assédios moral e sexual. Diferentemente do teor da denúncia, a comissão considerou que o cartola apresentou apenas "conduta inapropriada". Agora, o parecer será apreciado pelos presidentes das 27 federações estaduais em Assembleia Geral, que poderá acatá-lo ou não.

A acusação contra Rogério Caboclo foi protocolada em junho, e desde então ele está afastado do cargo. Caso o pedido de suspensão por 15 meses seja aceito pela Assembleia, a punição terá caráter retroativo e irá considerar os três meses de afastamento já cumpridos. Nesse caso, Caboclo poderá retomar o cargo em setembro do próximo ano - ou seja, antes da Copa do Mundo do Catar, que será realizada nos meses de novembro e dezembro.

Nem mesmo um retorno imediato do dirigente ao comando do futebol brasileiro, contudo, está descartado. Isso porque, para ser aplicada, a suspensão precisará contar com a aprovação de 3/4 dos integrantes da Assembleia Geral - ou seja, o cartola precisa de sete votos contrários. E Caboclo considera já ter 11.

De qualquer forma, a decisão da Comissão de Ética tem como resultado imediato a manutenção do coronel Antônio Carlos Nunes como presidente. Ele é o mais velho dos oito vices, mas poderá repassar a presidência para algum dos demais.

Ainda que a suspensão por 15 meses seja uma derrota para Rogério Caboclo, ela se apresenta como menos catastrófica do que se desenhava para o dirigente, que corria o risco de ser banido em definitivo. Nos bastidores, já havia intensa articulação para destituir o cartola do cargo e eleger um novo presidente para um mandato tampão.

Ao mesmo tempo, contudo, a suspensão tira de Rogério Caboclo a chance de concorrer a um novo mandato. Isso porque tradicionalmente a eleição para presidente é realizada um ano antes do término do mandato - ou seja, em abril -, quando o cartola afastado ainda estará cumprindo suspensão. Isto, claro, na hipótese de a Assembleia Geral ratificar a suspensão

Em nota, Rogério Caboclo disse ter recebido "com tranquilidade" a decisão da Comissão de Ética. "A rejeição da acusação de assédio é correta e era esperada, uma vez que nunca cometi esse ato e minha defesa comprovou minha inocência", diz o texto. Caboclo, porém, afirmou que seu afastamento por mais 12 meses "é injusto e ilegal" e que irá recorrer. "Trata-se de mais um capítulo da armação do ex-presidente Marco Polo Del Nero, banido do futebol por corrupção, para me tirar da CBF e reassumir o controle da entidade por meio de seus aliados." 

Assembleia

A reunião de dirigentes que definiria a questão estava marcada para acontecer na tarde desta quarta-feira, mas foi suspensa por decisão de um dos árbitros do Centro Brasileiro de Mediação e Arbitragem (CBMA) horas antes de se conhecer a decisão da Comissão de Ética. O CBMA é um órgão privado que atua na resolução de litígios.

A suspensão do encontro atendeu a pedido da defesa de Caboclo, que considerou que a Assembleia Geral não poderia ter sido convocada antes que os 27 presidentes de federações soubessem do parecer da Comissão de Ética.

Na quinta-feira passada, a CBF publicou edital em seu site convocando a reunião para esta quarta-feira. O primeiro item da ordem do dia informava que o encontro teria por objetivo "conhecer da decisão e confirmar ou não sanções eventualmente aplicadas pela Comissão de Ética do Futebol Brasileiro". A defesa de Caboclo alegou que a reunião de dirigentes não poderia ter sido convocada antes de se conhecer o resultado, argumento que foi aceito pelo CBMA. Assim, uma nova convocação será feita, provavelmente para a semana que vem.

A Assembleia acontecerá a portas fechadas, mas os votos dos 27 presidentes deverá ser feito de forma oral.

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