Comissão encontra um Edílson arrasado

Entre ex-companheiros de trabalho, Edílson Pereira de Carvalho desabou. ?Abatido, se controlou ao máximo para não chorar?, contou Sidrack Marinho. ?Arrasado, para não dizer coisa pior, em situação lamentável. Emagreceu sete quilos?, revelou Silas Santana. ?Dava até dó de seu estado?, comentou Teodoro Castro Lima. Os três ex-árbitros foram escolhidos pela Federação Paulista de Futebol (FPF) para analisar as partidas suspeitas do Campeonato Paulista. E para isso, visitaram nesta sexta-feira a casa de Edílson Pereira de Carvalho (réu confesso no escândalo da arbitragem), em Jacareí, cidade onde a população se envergonha do habitante ilustre.A comissão deve conversar neste sábado com o árbitro Paulo José Danelon, que também já confessou participação no esquema de manipulação de resultados dos jogos. Mas os três integrantes desconversam sobre o local e o horário do encontro - ele estaria em um sítio de Piracicaba, sua terra natal e onde foi montado a máfia do apito. Danelon apitou 10 jogos do Campeonato Paulista deste ano, enquanto Edílson esteve em 12. ?Estamos analisando os confrontos e ouvindo os juízes, queremos olhar em seus olhos e ouvir explicações?, afirmou Sidrack Marinho. Os três ex-árbitros esperam entregar o relatório sobre as 22 partidas até o fim da próxima semana ao Tribunal de Justiça Desportiva da FPF.Vergonha - No encontro desta sexta-feira, Edílson usava bermuda e chinelo, mas estava à vontade apenas na aparência. Pálido, gaguejou e baixou os olhos ao contar aos três visitantes que recebeu dinheiro ?apenas? duas vezes para mudar resultados. Teria tentado e não conseguido favorecer Corinthians diante do Guarani e América contra o Palmeiras. ?Mas os dois times venceram sem precisar de sua ajuda (2 a 0 o primeiro placar; 4 a 1 no segundo)?, convenceu-se Silas Santana. ?Pelo que entendemos, ele não teve influência nos dois jogos em questão.? O quadro descrito após as duas horas de conversa apresentava um Edílson triste, à beira da depressão. Ele reafirmou só ter cometido o crime por causa de R$ 30 mil em dívidas e lamentou estar sem dinheiro para pagar prestações atrasadas de seu carro e do imóvel onde mora. ?Se sente preso dentro de casa, não pode nem sair à rua por causa da imprensa?, disse Sidrack Marinho, sem mencionar que a população local também não o deixaria andar tranqüilamente por Jacareí.

Agencia Estado,

07 de outubro de 2005 | 20h26

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