Christian Hartmann/Reuters
Christian Hartmann/Reuters

Comitê de Ética da Fifa confirma abertura de processo contra Valcke

Antigo secretário-geral pode ser suspenso do futebol por nove anos

Estadão Conteúdo

07 de janeiro de 2016 | 10h57

O Comitê de Ética da Fifa confirmou nesta quinta-feira que abriu um processo contra Jérôme Valcke, ex-secretário-geral da entidade, que corre o risco de ser suspenso por nove anos do futebol. A câmara de investigações da Fifa informou que "decidiu instituir procedimentos contenciosos" contra o francês após estudar um relatório que contém acusações contra o ex-dirigente. 

A confirmação do processo contra Valcke acontece um dia após o Comitê de Ética da Fifa prorrogar em 45 dias a suspensão provisória aplicada a ele. Suspenso desde o último dia 7 de outubro. 

O órgão da Fifa tomou a decisão ao atender um pedido da câmara de investigação da entidade, que anteriormente havia destituído Valcke do seu cargo pela suposta participação do dirigente em um esquema de venda de ingressos para Copa do Mundo de 2014. Em seguida, no dia 7 de outubro, ele foi suspenso por 90 dias, em punição que expirou na última terça-feira, dia em que o Comitê de Ética da Fifa também recomendou que seja aplicada uma suspensão de nove anos ao ex-secretário-geral.

Valcke é acusado de violar até sete artigos do código de ética da entidade e poderia ser impedido até mesmo de entrar em um estádio até o ano de 2025. Ele é denunciado por "oferecer e receber presentes e outros benefícios". Além da suspensão, ele pagaria uma multa de US$ 100 mil.

Os juízes da Fifa não forneceram detalhes sobre a investigação em respeito ao direito de privacidade e à presunção de inocência até que se prove que Valcke é culpado das acusações. Uma audiência em Zurique com o francês deverá ocorrer dentro de algumas semanas. O acusado nega envolvimento em irregularidades.

Líder da organização da Copa de 2014, Valcke teria atuado nos bastidores para lucrar milhões de dólares com a venda de ingressos. Agora a decisão sobre o seu futuro como dirigente está nas mãos dos juiz Hans-Joachim Eckert, do Comitê de Ética da Fifa, que avaliará as denúncias de violação de regras de conduta, lealdade, confidencialidade, conflito de interesses, obrigação de colaborar e oferecer aceitar presentes e outros benefícios.

Valcke, que chegou a pensar em uma candidatura para a presidência da Fifa, foi afastado do seu cargo depois que o jornal Estado de S.Paulo e outros nove jornais internacionais revelarem que o francês fechou acordos para ficar com parte dos lucros da revenda de ingressos para a Copa de 2014, num esquema com ágio de mais de 200% nos valores das entradas e que teria envolvido mais de 2 milhões de euros (R$ 8,6 milhões) apenas para o dirigente.

Falastrão e milionário, Valcke ficou conhecido por ter sugerido que o Brasil levasse um "chute no traseiro" pelos atrasos na obras da Copa do Mundo. Na Fifa, ele levou a entidade a ser condenada por uma multinacional, o que custou a ela US$ 90 milhões em 2006. Naquele momento, a Fifa também anunciou seu afastamento. Mas ele voltaria em 2007 como número 2 da entidade.

Agora, as alegações apontam para a organização de um verdadeiro mercado negro de ingressos operando dentro da própria Fifa. A denúncia foi apresentada por Benny Alon, empresário israelense e americano que desde 1990 trabalha com a venda de entradas para os Mundiais. Sua empresa, a JB Marketing, ainda apontou para o "desaparecimento" de 8,3 mil entradas para a competição e que teriam de ser vendidas por eles no torneio.

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