Fabiano Accorsi/Divulgação
Fabiano Accorsi/Divulgação

'Comitê já tem outras opções se São Paulo abrir mão da Olimpíada'

Secretário municipal de Esportes diz que não entrará em leilão por causa do impasse com o Itaquerão

Entrevista com

Celso Jatene

RAPHAEL RAMOS, O Estado de S.Paulo

17 Março 2015 | 18h17

Apesar de a Fifa ter anunciado na segunda-feira que o Itaquerão vai receber jogos do torneio de futebol da Olimpíada de 2016, a participação do estádio na competição ainda não está definida. O Corinthians está em pé de guerra com a Prefeitura por causa do impasse na venda de R$ 420 milhões dos CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) emitidos pelo município devido às obras da arena. Como o Ministério Público contesta os incentivos fiscais, o Corinthians ainda não conseguiu comercializar os papéis. O clube também garante que não pagará pelas estruturas provisórias, como fez na Copa do Mundo. Nesta entrevista ao Estado, o secretário municipal de Esportes, Celso Jatene, diz que os CIDs não têm relação com os Jogos e se o clube desistir de receber o torneio, o Comitê Olímpico já tem outras opções.

Se o estádio do Corinthians não for usado nos Jogos Olímpicos de 2016, a arena do Palmeiras é um plano B para São Paulo?

Fizemos duas reuniões operacionais, uma no dia 12 e outra no dia 5. Participaram CBF, FPF, Comitê Olímpico, Secretaria Estadual e Municipal de Esportes. No primeiro encontro, ainda existia a boa intenção de que, eventualmente, a cidade de São Paulo contasse com duas arenas. Entre uma reunião e outra, o Comitê Olímpico fez uma vistoria no estádio do Palmeiras, mas já tínhamos a recomendação da Fifa que fosse uma só arena, a do Corinthians. Mesmo assim fizeram as vistorias e constataram que na arena do Palmeiras ainda há muito o que fazer para receber jogos de Olimpíada. Teria de fazer, por exemplo, novos vestiários, estações de força, coisas que o estádio do Corinthians já tem por causa da realização da Copa.


Quem pagará as estruturas provisórias que precisam ser instaladas no estádio do Corinthians para os Jogos Olímpicos de 2016?

Temos várias alternativas. Recebemos um caderno de encargos e agora estamos passando a limpo para saber o que a Prefeitura pode fazer e o que cabe ao Estado. As estruturas temporárias podem ser pagas pelo governo do Estado, pelo Comitê Olímpico, os patrocinadores... Eu liguei para o Andrés Sanchez (superintendente de futebol do Corinthians e deputado federal) e perguntei se ele falava em nome do Corinthians em relação ao estádio. Ele me respondeu que sim. Eu, então, perguntei se poderíamos contar com o estádio do Corinthians, sem precisar pagar aluguel. Falei, inclusive, que se o Corinthians precisasse mandar jogos em São Paulo antes da Olimpíada o Pacaembu estaria à disposição. O Andrés me disse que eu poderia contar o estádio do Corinthians, mas deixou claro que o clube não colocaria nenhuma tostão em estrutura provisória.

Quantos jogos serão disputados em São Paulo?

Recebemos um caderno de encargos para ter dez jogos em São Paulo, em sete datas. Teríamos três rodada duplas e quatro simples. Mas eu também estou pleiteando o 11º jogo, que seria a final do feminino.

Quanto custarão as estruturas provisórias?

A estrutura provisória para a Olimpíada e muito menor em relação à Copa do Mundo. Não teremos, por exemplo, arquibancadas provisórias. Já defini com o Comitê Olímpico que aquela área de sete mil lugares que o Corinthians tirou as cadeiras para ficar as torcidas organizadas a gente não vai recolocar as cadeiras para depois o clube não precisar tirar de novo. Vamos isolar aquela área e o estádio terá 41 mil lugares e não 48 mil. A estrutura vai ser bem menor, mas ainda não fechamos os custos. O próprio Comitê Olímpico está, nesse momento, aprofundando os estudos em relação às estruturas temporárias.

A Prefeitura pode arcar com esses custos?

Vamos afunilar essa discussão porque São Paulo quer contribuir com o Rio de Janeiro, mas não temos dinheiro para investir nisso. Também não queremos em hipótese nenhuma entrar num leilão com outras cidades que têm arenas da Copa mais ociosas e querem bancar tudo. O Comitê Olímpico já deixou claro para a gente que tem outras opções se São Paulo abrir mão. É óbvio que eles gostariam que fosse os jogos fossem em São Paulo e também é óbvio que nós queremos receber os Jogos Olímpicos. Mas não vamos fazer loucura.

O Corinthians diz que se a venda dos CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) não for liberada terá de rever o empréstimo do estádio durante a Olimpíada. Essa situação lhe preocupa? 

Já estava combinado o compromisso de que o Corinthians não vai arcar com estruturas temporárias e, por isso, estamos buscando outros caminhos. Mas não dá para misturar isso com os CIDs. Nem posso opinar sobre os CIDs porque não é da área do Esporte. É um assunto da Secretaria das Finanças. Se, de repente, o presidente do Corinthians quer desautorizar a palavra que o Andrés Sanchez me deu e criar uma situação para dizer não, eu posso antecipar e dizer que São Paulo não vai ter jogos da Olimpíada. A gente depende que o Corinthians confirme a cessão do seu estádio e eu tenho essa confirmação por parte do Andrés, mas se o presidente quiser mudar de ideia, não tem problema.

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