Divulgação/Goiás
Divulgação/Goiás

Como no Bayern de Munique, Goiás também tem forte presença feminina no futebol do clube

Renata Borelli Capucci é responsável pela orientação e segurança dos 40 garotos das categorias de base da Casa do Atleta e mira o elenco profissional

Wilson Baldini Jr, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2020 | 05h00

O ambiente machista do futebol profissional aos poucos vai abrindo espaços para a presença feminina. Se o Bayern de Munique apresentou Kathleen Krüger como a organizadora do time que domina o futebol europeu na atualidade, vencedor da Liga dos Campeões, o Goiás tem Renata Borelli Capucci, responsável pela orientação e segurança dos 40 garotos das categorias de base da Casa do Atleta. Seu conhecimento e profissionalismo tem tudo para também ganhar um dia o elenco profissional.

"Em certos acontecimentos existe sim o machismo no futebol. Mas estou há oito anos no Goiás. No início, eu me sentia um pouco isolada, deslocada, mas com o trabalho desenvolvido, consegui meu espaço e até fui convidada para ser a coordenadora da Casa do Atleta", disse a assistente social, de 57 anos. "Hoje a equipe multidisciplinar (pedagoga, psicóloga e nutricionista) para atender essa garotada é toda formada por mulheres." Ela não esconde que isso é um avanço na sociedade. 

Se Kathleen Krüger, coordena viagens, treinos, dietas e foi encarregada de que nada faltasse na casa dos jogadores do Bayern no período de quarentena, os garotos que chegam ao Goiás e ficam no clube recebem toda a orientação por parte de Renata. "Temos a obrigação de tornar o atleta também um cidadão. Cuidamos do alistamento militar, RG atualizado, título de eleitor, passaporte, escola, saúde, etc... A orientação é constante para os atletas. Costumo brincar dizendo que temos a guarda compartilhada com a família deles. Temos familiares presentes e em outros casos não muito presentes", conta ao Estadão.

O clube e a equipe de Renata cuidam dos jogadores, mas também exigem responsabilidades deles. "Os atletas têm obrigações e ordens a seguir aqui dentro da casa. Eles têm a liberdade de sair, mas têm de nos informar, não no sentido de proibi-los, mas sim de protegê-los", disse. "Por serem jovens, muita vezes esquecem que a profissão é curta e acabam pensando somente no agora. Temos de estar atentos a tudo que está acontecendo na vida deles, pois somos educadores de uma grande diversidade."

Um dos melhores exemplo do trabalho realizado nas categorias de base foi o do atacante Michael, atualmente no Flamengo, que teve problemas fora de campo. "O Michael chegou ao clube e não tinha feito trabalho de base no futebol. Ele ficou uns meses na Casa do Atleta, quando já havia feito sua escolha de sair do mundo ruim que vivia. Então, para nós, foi um ganho enorme, pois ele nos ajudava com os atletas, com depoimentos e vivências e isso foi bom para todos. Foi muito gratificante conviver com ele."

Osmar Lucindo, diretor das categorias de base do Goiás, elogia o trabalho feito por Renata e por toda a equipe da Casa do Atleta. "A Renata é a mamãezona dos atletas. Ela está muito bem entrosada com o clube e o seu trabalho, com muita seriedade e responsabilidade, é muito importante para a formação do caráter do homem e do atleta." 

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