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Companheiro de clube, Miranda diz que seleção pode perder um grande jogador

Em entrevista exclusiva, zagueiro do Atlético de Madrid fala sobre Diego Costa e seu bom momento na Espanha

Vanderson Pimentel, O Estado de S. Paulo

14 de outubro de 2013 | 09h18

SÃO PAULO - A boa fase do Atlético de Madrid parece não ter fim. Historicamente visto como o primo pobre da capital espanhola, o clube atravessa uma fase de conquistas e importantes vitórias desde a chegada do treinador Diego Simeone. Sob o comando do argentino, que foi ídolo do clube também como jogador, a equipe venceu a Liga Europa de 2011/2012, a Supercopa da Uefa, em 2012 e a Copa do Rei, de 2012/2013.

E o principal nome dessa última conquista possui DNA brasileiro. Miranda foi o responsável por fazer o gol que deu a vitória para o Atlético sobre o Real Madrid, por 2 a 1. O tento foi marcado nos acréscimos da final, em pleno estádio Santiago Bernabéu. O zagueiro, que chegou a equipe no início de 2011, faz uma parceria de sucesso com o uruguaio Diego Godín. Na temporada passada, a defesa do Atlético foi a menos vazada do Campeonato Espanhol, com 31 gols sofridos.

Em entrevista ao Estado, o jogador de 29 anos fala sobre a excelente fase que o clube vive, o mau momento do São Paulo, time pelo qual o jogador conquistou três Campeonatos Brasileiros, dentre outros assuntos. Miranda também afirma que o Brasil pode estar perdendo um grande jogador com a provável naturalização de Diego Costa, um possível retorno de Diego Ribas à equipe e afirma que está fazendo sua parte, para, quem sabe, vestir a camisa do Brasil na próxima Copa do Mundo.

O Atlético de Madrid sempre foi visto como uma equipe tradicional, mas que não ganhava nada. Como é estar inserido nesta fase de títulos do clube?

MIRANDA - Eu fico muito feliz em poder estar jogando, fazer história e ganhar títulos, porque é uma equipe grande e que tem uma torcida apaixonada. Eu estou muito feliz com a atual fase do clube, com a minha atual fase e espero que ela continue por um bom tempo.

Como é ser uma espécie de "intruso" nessa briga entre Barcelona e Real Madrid pelo Campeonato Espanhol?

MIRANDA: Só de estar jogando de igual para igual com eles é um sinal de que a nossa equipe está fazendo uma grande campanha. Já enfrentamos o Real Madrid e ganhamos deles. Estamos em primeiro na Liga, juntamente com o Barcelona e com iguais condições de enfrentá-los. Assim como ganhamos do Real Madrid, podemos surpreender e ganhar do Barcelona também. Nosso pensamento é fazer uma grande campanha tanto no Campeonato Espanhol, quanto na Liga dos Campões da Europa e esperamos manter essa fase durante todo o torneio.

O que representou ganhar o título da Copa do Rei em cima do Real Madrid, que é o grande rival do time?

MIRANDA - Para nós jogadores, primeiro representou uma queda de tabu, pois a equipe já estava há muito tempo sem ganhar. Enfrentar o maior rival, jogando na casa do adversário, e ter a felicidade de vencer, fazer o gol e sair com o título representou muito, porque dá confiança, faz com que sejamos mais respeitados e cresçamos ainda mais.

Desde que chegou na Espanha, você trabalhou com o Gregorio Manzano e com o Diego Simeone. Há muita diferença de estilo entre os dois técnicos?

MIRANDA - A diferença é que Simeone é mais participativo, joga com a equipe. O outro era mais quieto, achava que a equipe ia ganhar pelo o que ele passava. O Manzano não tinha muita improvisação. O Simeone é um grande treinador, que conseguiu chegar, mudar totalmente a mentalidade dos jogadores e tirar o melhor de cada um. Eu acho que a equipe está produzindo pela competência do Simeone.

No Atlético, o Simeone foi um volante de muito sucesso e agora está fazendo uma campanha sensacional como treinador. O que ele representa para os torcedores?

MIRANDA -  Para o torcedor ele é um idolo. Mesmo no banco, como treinador, continua como uma figura muito importante para o Atlético. É um treinador que a torcida respeita, joga junto com ele. É um cara que incentiva muito o time, e nos momentos em que a equipe necessita da torcida, ele é o primeiro a levantá-la e ela sempre procura corresponder. Ele é um cara por quem a torcida tem um carinho e o escuta muito.

Como um ex-ídolo do São Paulo, você está acompanhando a situação do time neste Campeonato Brasileiro?

MIRANDA: Sim e fico triste de o São Paulo estar nessa situação, por ser uma equipe vitoriosa e que me ajudou a ter projeção na carreira. Mas fico na torcida, porque uma equipe que ganhou do líder (Cruzeiro) como ganhou mostra que tem qualidade e não merece isso. Acho que agora eles têm um grande treinador e, com tranquilidade, vão sair dessa. Uma grande equipe como o São Paulo, com a estrutura que tem, não merece estar nessa posição na tabela.

Para você quem é melhor: Simeone ou Muricy?

MIRANDA - São dois treinadores bem parecidos. Os dois estudam o adversário, são bem táticos, mas possuem uma maneira diferente de lidar com cada jogador. O Muricy, com quem trabalhei, dava muita confiança para os seus jogadores e era mais amigo. O Simeone é mais profissional. Dentro de campo ele é amigo, mas fora é uma pessoa normal. Com o Muricy, a gente tinha mais amizade tanto dentro, como fora de campo.

No Atlético, você está fazendo uma parceria de sucesso na zaga com o Diego Godín. Mas agora chegou o Toby Alderweireld, que é um zagueiro de muita qualidade também. Como é a convivência e a concorrência entre vocês?

MIRANDA - A concorrência é muito boa. São jogadores de seleção e tanto o Godín quanto o Toby são de muita qualidade. É uma briga muito boa e sadia. É natural que, até por estarmos atuando junto a mais tempo, eu e o Godín estejamos mais entrosados. Fomos a melhor defesa do campeonato passado e repetimos o feito este ano. É dificil para um cara que chega depois ter iguais condiçoes de brigar pela vaga, mas são dois jogadores de qualidade e qualquer um pode ser titular de qualquer equipe.

O grande assunto tanto no Brasil quanto na Espanha é o caso do Diego Costa, que já admitiu jogar pela seleção espanhola. Você chegou a conversar com ele?

MIRANDA -  O Diego Costa é um jogador de muita qualidade, novo, e que está com futebol para jogar a próxima Copa do Mundo. Como não vem tendo oportunidade na seleção brasileira, mas a chance de jogar pela seleção espanhola, ele pensa bastante. Ele quer jogar uma Copa do Mundo e é um sonho que está perto de ser realizado. Infelizmente, a seleção brasileira pode estar perdendo um grande jogador, que, além de jovem, tem um potencial muito grande.

Caso você não tivesse atuado em competições oficiais, também optaria por se nacionalizar se recebesse convite?

MIRANDA - É dificil. Acho que cada jogador tem sua maneira de pensar e de agir. Temos de respeitar a decisão do Diego, porque apesar de jovem, ele ja é um cara que tem uma boa experiência, é bem conhecido aqui na Europa. Acho que cada atleta tem uma atitude diferente e devemos respeitar todas as opiniões.

Com apenas um ano de contrato com o Wolfsburg, o Diego pode sair e o nome do Atlético de Madrid surge novamente, devido ao bom desempenho que ele teve no time. Você já teve alguma conversa com ele?

MIRANDA -  Pelo que eu sei, existe um interesse do Atlético sim em recontratá-lo. É um grande jogador, que teve uma passagem muito boa, e o treinador é apaixonado por seu futebol. É um grande reforço e espero que dê certo. Eu converso com ele, nada a respeito da vinda, mas fico na torcida para que ele venha.

Você está jogando muito bem e, ao que parece, ainda tem uma vaga em aberto na zaga da seleção brasileira. Há uma expectativa sua para voltar?

MIRANDA - Tenho expectativa pelo futebol que venho apresentando, mas o meu pensamento é estar bem no clube, continuar fazendo uma grande campanha. Fico feliz com o reconhecimento da imprensa local e dos torcedores. Minha parte eu estou fazendo. Se chegar a oportunidade de eu defender a seleção novamente, ficarei feliz e procurarei fazer o meu melhor. Caso contrário, estarei na torcida pela seleção brasileira. 

 

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