Jonne Toriz/Estadão
Jonne Toriz/Estadão

Condição cardíaca dos atletas ganhou mais atenção após tragédia

Outras medidas foram adotadas, como a adoção do desfibrilador no banco de reservas e a intensificação dos exames feitos pelos atletas

Ciro Campos e Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2014 | 07h00

A tragédia com Serginho deixou em alerta o futebol brasileiro. A condição cardíaca dos atletas começou a ganhar mais atenção e os estádios passaram a ter desfibriladores, equipamento que utiliza choques elétricos para restabelecer o ritmo cardíaco em paradas cardiorrespiratórias. "Com o caso do Serginho, houve a adoção do desfibrilador no banco de reservas, a intensificação dos cuidados e a melhoria das salas de atendimento nos estádios", explicou José Luiz Runco, médico e ex-integrante da comissão técnica da seleção brasileira.

As modernas arenas construídas para a Copa do Mundo de 2014 também contribuíram a dar mais segurança aos jogadores em caso de emergência. Todas possuem uma estrutura com ambulatório e salas de atendimento capazes de recuperar casos mais graves.

"A detecção de um atleta que tinha uma alteração muito pequena e investigar aquilo a fundo não era tão feito. Hoje, se há uma pequena dúvida de um jogador na função miocárdica, haverá diversos exames", disse o médico Marco Aurélio Cunha, superintendente de futebol do São Paulo em 2004 e um dos que prestaram socorro a Serginho.


Outro médico presente na ocasião, José Sanches, também do São Paulo, destaca o aumento do rigor das entidades que organizam os campeonatos. "Foram criados elementos para melhorar os atendimentos de emergência. Um jogo não começa hoje se não tiver um desfibrilador e uma ambulância no estádio". O pronto crescimento na preocupação com os jogadores teve a primeira repercussão dentro do próprio São Caetano. O atacante Fabrício Carvalho, que estava em campo no jogo da morte do zagueiro, ficou dois anos sem atuar depois que exames da pré-temporada, em 2005, mostrarem que ele tinha uma arritmia.

Insatisfeito com o diagnóstico e em dúvida sobre sua condição, Fabrício deixou o clube depois de um ano parado e foi se consultar com outros médicos. Aos poucos, foi liberado para retomar atividades físicas leves. "No início, eu fiquei com medo. Foi muito difícil o retorno, traumático. Tive medo de passar mal em campo. Eu vi o Serginho morrer e passava um filme na minha cabeça", contou ao Estado.

Em 2007, o atacante foi contratado pelo Goiás e retomou a carreira. Fabrício garante não ter sentido nenhum problema cardíaco em nenhum momento da sua vida, mas disse que compreende a preocupação do São Caetano, principalmente pelo exame ter sido realizado meses depois da morte de Serginho.

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