Hannah McKay/Reuters
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Confira os dez desafios de Tite até a Copa do Mundo de 2022

Treinador acerta novo acordo com a CBF, é oficializado e já trabalha para dar os próximos passos no comando da seleção

Marcio Dolzan / Rio, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2018 | 05h00

O técnico Tite continua no comando da seleção brasileira. A CBF oficializou a renovação de contrato nesta quarta-feira e o treinador já projeta o trabalho para a Copa do Mundo do Catar, em 2022. Com a queda do time nas quartas de final do Mundial da Rússia, ele reinicia seu trabalho à frente do Brasil precisando recuperar atletas e com a obrigação de abrir espaço à geração de jogadores que está surgindo. Terá de melhorar em relação ao que foi na Copa do Mundo.

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“Entendo que a CBF nos deu as condições para construir um ambiente de união e de profissionalismo extremo e assim continuaremos. É um grande desafio e estamos felizes em enfrentá-lo, já com o foco voltado aos próximos jogos e competições”, disse, após a renovação.

A nova realidade não é muito diferente daquela encontrada pelo técnico há dois anos, quando assumiu o Brasil em crise. O Brasil foi mal. Tite não é mais unanimidade e terá de superar novos desafios se quiser levar a seleção brasileira ao hexa. O Estado lista dez deles.

Trabalhar sem carta branca

Tite assumiu uma seleção em crise em 2016. Bombardeado por denúncias envolvendo sua gestão, o ex-presidente da CBF Marco Polo del Nero não quis arrumar mais encrenca e acertou com o único técnico que contava com apoio da torcida. Assim, Tite se viu à vontade para impor seu trabalho. Agora, vai ter de batalhar pela concordância do futuro presidente, Rogério Caboclo, a cada projeto.

Sem unanimidade

O trabalho bem feito nas Eliminatórias fez do treinador uma quase unanimidade. Não é mais assim. Enquete do Estado apontou que o técnico conta com a aprovação de 72% dos torcedores. Nesta quarta, muitas pessoas nas redes sociais criticaram a renovação de contrato do técnico, acusando-o de formar “panelinhas”.

Ser mais pragmático

Além do conhecimento tático, Tite é elogiado por jogadores pelo estilo protetor. O problema é que isso às vezes inclui manter na equipe atletas que estão deixando a desejar – foi assim na Copa do Mundo. Mudar o time pela necessidade urgente do resultado precisa entrar no radar.

Dar espaço à nova geração

Jovens como Vinícius Júnior (Real Madrid), Lucas Paquetá (Flamengo) e Arthur (Barcelona) deverão ganhar uma chance já na convocação para os amistosos de setembro. Além disso, Tite também terá de garimpar novos laterais, especialmente pelo lado direito.

Recuperar jogadores

O técnico terá de recuperar jogadores que foram mal na Rússia e têm potencial para o Catar. Gabriel Jesus é um deles. Além disso, Philippe Coutinho passa por fase de adaptação no Barcelona e, claro, há a questão de Neymar.

Neymar

Tite terá de repensar o tratamento dado ao atacante. O excesso de proteção a ele não ajudou nem se justifica. O mais caro atleta da história deixou de figurar na lista dos dez melhores do mundo. Tite terá papel importante na recuperação.

Líder dentro de campo

Daniel Alves e Thiago Silva foram os mais próximos do que se pode chamar de líder dentro da seleção desde que Tite assumiu. Mas, adepto do rodízio de capitães, o treinador não conseguiu fazer com que um jogador se destacasse nessa função. Dar à equipe um capitão incontestável parece inevitável agora.

Devolver a autoestima

A seleção foi à Rússia como uma das favoritas ao título. Foi assim entre torcedores, foi assim no meio do futebol e foi assim entre a comissão técnica. Mas o futebol aquém do esperado e a queda nas quartas devolveram aquela sensação de que o futebol brasileiro ficou para trás.

Conquistar a Copa América

A competição não tem muito apelo, mas Tite sofrerá grande pressão se não levar o Brasil ao título em 2019. Além de ser disputada no País, a seleção não vence a competição desde 2007.

Encarar os europeus

A Copa do Mundo demonstrou mais uma vez que o futebol europeu está à frente do sul-americano. De nada adiantou o Brasil sobrar nas Eliminatórias se os quatro semifinalistas foram países do Velho Continente. Preparar-se para o Mundial do Catar superando equipes de bom nível da Europa é fundamental. 

ANÁLISE: Robson Morelli

A permanência de Tite no comando da seleção diz mais respeito à continuidade de um trabalho do que à decisão de manter um treinador no cargo. Foi Tite, mas poderia ser qualquer outro. O que conta nesta decisão da CBF é a semelhança com escolas da Europa, como a alemã e a francesa, por exemplo. Löw renovou seu contrato com a Alemanha mesmo depois da eliminação precoce na primeira fase da Copa da Rússia. Já estava no comando havia algum tempo. O mesmo ocorre com Deschamps. Campeão do mundo com a França, o treinador está no posto há seis anos e ficará por mais dois. É disso que se trata no acerto entre Tite e CBF – confiando que não há nenhuma manobra de cartolas com segundas intenções.

O fato é que temos de parar de jogar na lata do lixo trabalhos que não ganham títulos, avaliando unicamente pelos resultados. Um trabalho bem feito dará frutos em algum momento. Acredito nisso. Mas isso não desobriga Tite de desafios, aprendizados, de mais coragem no vestiário, de tentar caminhos diferentes, de ousadia e, quando necessário, de cautela, de colocar a mão em vespeiros, de ser mais boleiro e menos professoral, enfim, de fazer melhor.

 

 

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