Confirmação do Brasil reacende dramas e alegrias de 1950

Favorita, seleção brasileira perdeu o título em casa ao ser derrotada pelo Uruguai por 2 a 1

Efe,

30 de outubro de 2007 | 15h16

A confirmação da Copa do Mundo de 2014 no Brasil traz de volta à memória do País o trágico Mundial de 1950, quando a seleção entrou em campo na última partida precisando de apenas um empate contra o Uruguai, mas saiu derrotada, no episódio que ficou conhecido como "Maracanazo". Veja também: Brasil é confirmado como sede da Copa do Mundo de 2014 Brasil enfatiza preservação ambiental na apresentação na Fifa Paulo Coelho brinca: futebol é mais importante que sexo Imagens da cerimônia na sede da FifaAs cidades candidatas a sede da Copa do Mundo de 2014 Opine: o que você acha do Mundial no Brasil? A seleção brasileira chegou à Copa do Mundo de 1950 como uma das grandes favoritas. Na estréia, no dia 24 de junho, o Brasil goleou o México por 4 a 0 em um Maracanã com mais de 80 mil torcedores. A seleção abriu o placar com Ademir Menezes, aos 32 do primeiro tempo. O segundo gol saiu apenas na etapa final, com Jair da Rosa Pinto, aos 21 minutos. O terceiro foi marcado por Baltazar, aos 27 minutos, e Ademir Menezes fechou o placar aos 36 da segunda etapa. Para sua segunda partida no Mundial, no dia 28 de junho, a seleção viajou a São Paulo, onde enfrentou a Suíça no Pacaembu. Diante de mais de 42 mil torcedores, o Brasil não conseguiu sair de um empate por 2 a 2 com os suíços. Alfredo II abriu o placar para a seleção brasileira logo aos 2 minutos de partida, mas a Suíça chegou ao empate com o atacante Jacques Falton, aos 16 do primeiro tempo. O Brasil voltou a ficar à frente do marcador ainda na etapa inicial, com Baltazar, aos 31 minutos, mas Jacques Falton empatou mais uma vez, aos 43 do segundo tempo, e deu números finais à partida. Depois de um empate fora dos planos em São Paulo, a seleção voltou ao Maracanã, no dia 1.º de julho, para enfrentar a Iugoslávia, diante de mais de 142 mil torcedores. Logo aos 3 minutos de jogo, Ademir Menezes abriu o placar para o Brasil, que confirmou a vitória com um gol de Zizinho, aos 24 da etapa final. No dia 9 de julho, o Brasil entrou em campo, mais uma vez no Maracanã, para sua quarta partida na Copa do Mundo, desta vez contra a Suécia. Os quase 139 mil torcedores que assistiram ao jogo naquele dia viram a maior goleada da seleção brasileira na história da competição: humilhantes 7 a 1 no placar. O Brasil abriu 2 a 0 no placar com Ademir Menezes, aos 17 e 26 do primeiro tempo. Ainda na etapa inicial, Chico fez o terceiro, aos 39, e Maneca transformou a vitória tranqüila em goleada apenas um minuto depois. Na segunda etapa, Ademir marcou outros dois, logo aos 7 e 9 minutos. A Suécia fez o de honra com Sune Andersson, aos 22, de pênalti, mas o Brasil fechou o placar com o segundo na partida de Chico, aos 43 minutos. Depois de uma goleada inquestionável sobre a Suécia, a seleção voltou ao Maracanã, no dia 13 de julho, para enfrentar a Espanha. Empurrados pelo placar da última partida, mais de 152 mil torcedores compraram ingresso para ver mais um show do Brasil, que não decepcionou. Ademir Menezes abriu o placar aos 15 do primeiro tempo. O segundo saiu aos 21, com Jair da Rosa Pinto, e apenas dez minutos depois a seleção chegou ao terceiro, com Chico, que marcou também o quarto, aos 10 da etapa final. O quinto gol brasileiro foi marcado por Ademir, aos 12, e Zizinho guardou o dele dez minutos depois. A seleção espanhola marcou seu único gol aos 26, com Silvestre Igoa. Enquanto o Brasil apresentava o melhor futebol do mundo dentro de campo, a torcida, em um coro de mais de 150 mil pessoas, embalava a seleção cantando a música "Touradas em Madri", composição de Braguinha que se tornou popular na voz de Carmem Miranda. Derrota diante de 174 mil torcedores Diante de quase 174 mil torcedores, Brasil e Uruguai entraram em campo na tarde do dia 16 de julho para decidir a Copa. O regulamento escolhido para a competição previa um quadrangular final, em vez do tradicional sistema de mata-mata. Como o Brasil havia vencido suas duas primeiras partidas no quadrangular e o Uruguai tinha empatado com a Espanha por 2 a 2 e conquistado um triunfo suado sobre a Suécia por 3 a 2, o empate dava à seleção brasileira seu primeiro título mundial. Um dia antes da partida, o Brasil trocou a tranqüila concentração de São Conrado pela movimentada sede do Vasco da Gama, onde recebiam constantemente políticos e outras figuras públicas. Quando o jogo começou, a forte defesa do Uruguai conseguiu controlar o ataque brasileiro, e segurou o empate até o fim do primeiro tempo. No começo da segunda etapa, a seleção partiu para cima dos uruguaios tentando definir a partida e abriu o placar logo aos 2 minutos, com Friaça. Sem qualquer alternativa senão atacar, o Uruguai tentou reverter a vantagem brasileira e chegou ao empate aos 19 minutos, com Schiaffino. O gol da virada veio aos 32 com o atacante Ghiggia, que enganou a zaga brasileira ao fingir um cruzamento e acabou tocando na saída do goleiro Barbosa. Após o segundo gol uruguaio, os quase 200 mil espectadores que lotavam o Maracanã protagonizaram o silêncio mais famoso já testemunhado em um estádio de futebol. A derrota para o Uruguai marcou o início de uma nova era para a seleção brasileira. O uniforme branco com detalhes em azul foi aposentando e em seu lugar surgiu o modelo atual, com camisa amarela em detalhes verdes e calções azuis. Os jogadores brasileiros ficaram marcados pela derrota e muitos deles jamais voltaram à seleção. O goleiro Barbosa e o lateral Bigode, acusados de falhar no gol de Ghiggia, tiveram de conviver com o fantasma do "Maracanazo" até o fim de suas vidas. A única Copa do Mundo disputada no Brasil mudou os rumos do futebol no país e a vida de atletas que sonhavam em ser heróis nacionais.

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