Conformado, Evaristo critica diretoria

"Já passei do momento de euforia por vitórias e depressão por derrotas." Assim o ex-técnico do Flamengo Evaristo de Macedo reagiu à decisão dos dirigentes do clube de demiti-lo no domingo, um dia após a equipe ter sido eliminada do Campeonato Carioca, com a derrota para o Fluminense, por 4 a 0. Aos 69 anos, o mais experiente treinador em atividade do futebol brasileiro se mostrou conformado, mas não frustrado, com a maneira como foi tratado no Rubro-Negro.Para Macedo, o que importa no Brasil é o futebol de resultados, capaz de desprezar uma boa campanha e todo o trabalho realizado durante uma competição. De acordo o treinador, não adianta o profissional ter uma história de glórias no País que nunca será valorizado."Demissão já virou rotina, vai continuar acontecendo e estamos habituados com isso", disse Macedo. "Faltam memória e respeito pelo profissional no Brasil", prosseguiu, lembrando que nas festas de aniversário do Real Madrid e do Barcelona, recebeu passagens e hospedagem gratuita para ser homenageado na Espanha.Ao longo da carreira de jogador, Macedo foi tricampeão Carioca pelo Flamengo (1953, 1954 e 1955); bicampeão Espanhol pelo Barcelona (1959 e 1960), tricampeão da Copa da Uefa também pelo time Catalão (1958,1959 e 1960) e tricampeão Espanhol pelo Real Madrid (1963, 1964 e 1965). Nem os muitos títulos foram capazes de segurar seu emprego no Flamengo.Sobre a demissão, Macedo não se furtou em fazer algumas acusações contra a diretoria rubro-negra. O treinador contou que a negociação do atacante Liédson para o Corinthians foi feito à sua revelia. Disse que nomes indicados por ele, como o do meia Jorge Wagner, do Corinthians, e Ramalho, do São Caetano, foram ignorados pelos dirigentes."Cheguei a conversar com o Vanderlei (Luxemburgo, técnico do Cruzeiro) para ele me liberar o Jorge Wagner. Aí a diretoria não contratou ninguém que pedi e trouxeram quem eles queriam", afirmou Macedo, ressaltando que todos no clube sabiam da necessidade de uma reformulação no elenco para este ano. "Ela não aconteceu. Está aí o resultado." Mas Macedo garantiu que o "amor" pelo esporte o faz superar qualquer tipo de problema. Já previu um rodízio de treinadores nos clubes, por causa da nova fórmula de disputa do Campeonato Brasileiro (turno e returno, com pontos corridos, durante nove meses) e recordou o insucesso de Jair Picerni e Mário Sérgio à frente do São Caetano para exemplificar que o futebol não é previsível. "Fizeram brilhantes campanhas, mas não conquistaram o título, que é tudo. Tirei o Flamengo da Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro, levei o time às finais do Carioca, mas também faltou o título", lamentou.Por enquanto, Macedo ainda não fez planos para o futuro. Contou apenas que espera receber os três meses e meio de salários em atraso do Flamengo, além de uma dívida judicial referente a sua passagem pelo clube em 1999. "Da mesma maneira que tiveram o ímpeto e o direito de me demitirem, espero que esses dirigentes honrem as dívidas que têm comigo", frisou.

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