Cristiane Mattos / Reuters
Cristiane Mattos / Reuters

Confusão após queda do Cruzeiro tem 4 presos, 32 feridos e depredação no Mineirão

Polícia e MP pediram antes da partida que o jogo tivesse torcida única

Redação, Estadão Conteúdo

08 de dezembro de 2019 | 22h05

Além do rebaixamento inédito para a Série B do Campeonato Brasileiro, o Cruzeiro viu a sua torcida se comportar de modo repulsivo, agressivo e violento dentro do Mineirão. Tanto que o jogo foi encerrado aos 40 minutos do segundo tempo pelas confusões nas arquibancadas do estádio. Segundo o coronel Trant, responsável pela segurança no Mineirão, quatro torcedores foram presos por agressão ou desacato e 32 pessoas foram atendidas pelo posto médico ou encaminhadas ao hospital João XXIII, administrado pelo governo do Estado de Minas Gerais.

"Algumas pessoas passaram mal pelo tumulto, pelo nervosismo. Outras tiveram ferimentos leves. Algumas outras com ferimentos na cabeça, devido à chuva de cadeiras ocorrida na arquibancada", resumiu o policial. Havia a informação, não confirmada, de três feridos graves, segundo outro militar que participou da operação. Todos foram levandos a hospitais.

O efetivo utilizado neste jogo teria sido maior do que ocorre em clássicos entre as duas maiores torcidas da capital mineira entre Cruzeiro e Atlético-MG. Segundo Trant, o saldo do cenário de guerra foi positivo. "Nós tínhamos mais de 25 mil torcedores no Mineirão e a quantidade de feridos acabou sendo pequena", disse.

O policial, ao mesmo tempo, explicou algumas ações realizadas no esquema de segurança do estádio. "Nós percebemos algum clima de tensão no começo do segundo tempo, então atuamos em duas frentes. A primeira foi separar a parte da torcida do bem, que é a maioria. Depois fizemos a contenção entre os torcedores mais exaltados, normalmente das torcidas organizadas", explicou o policial, lembrando que para este jogo as duas maiores organizadas ficaram distantes entre si para evitar problemas. "Há uma rivalidade entre a Máfia Azul e a Pavilhão, então consideramos o fato de deixá-las bem distantes", completou.

Para o coronel, os incidentes foram graves apesar da presença de torcida única, atendendo pedido do Ministério Público (MP). "Infelizmente o problema não é só a rivalidade entre as torcidas, mas o comportamento do torcedor. Alguns, é claro, porque não podemos generalizar para o torcedor do bem, do pai de família, que leva o filho ao campo e das mulheres. Mas muitos torcedores não vão ao estádio para torcer, mas para guerrear e cometer crimes", completou.

PREJUÍZO

Os quatro torcedores presos seriam encaminhados para a Polícia Civil para registro de Boletim de Ocorrência (BO), que vai gerar depois um encaminhamento para a Justiça. A administração do Mineirão (Minas Arena) deixou para esta segunda-feira uma vistoria geral dos danos causados pelos maus torcedores. Mas já se sabe da quebra de centenas de cadeiras, muitos alambrados e bebedouros, além da destruição em vários banheiros de espelhos, torneiras, portas e vasos sanitários. A conta da depredação e prejuízo será coberta pelo Cruzeiro.

Além disso, o clube deve sofrer pesada punição do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) pelo mau comportamento de sua torcida. O ponto inicial vai ser a análise da súmula do árbitro carioca Marcelo de Lima Henrique. A pena, se for aplicada, terá de ser paga na Série B. Em 2017, por situação semelhante, a Ponte Preta pegou cinco jogos de suspensão. Eles foram cumpridos na disputa da Série B do ano seguinte. Na ocasião, a equipe de Campinas foi rebaixada ao perder para o Vitória por 3 a 2, em casa, no estádio Moisés Lucarelli.

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