Wilton Junior/Estadão
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Congresso estuda projeto de lei que visa transformar clubes do Brasil em empresas

Informação foi do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), que nesta terça-feira esteve na sede da CBF, no Rio

Marcio Dolzan / Rio, Estadão Conteúdo

30 de julho de 2019 | 18h35

Menos de quatro anos após a criação do Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut), um dos tantos programas criados para tentar resolver os enormes rombos financeiros dos clubes - em especial por causa de dívidas com a União -, vem aí mais um projeto para resgatar as agremiações do atoleiro. E a ideia nem é tão nova assim. No segundo semestre, a Câmara dos Deputados deve começar a tratar com mais afinco de um projeto de lei voltado a transformar os clubes brasileiros em empresas.

A informação foi do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), que nesta terça-feira esteve na sede da CBF, no Rio. "Vim conversar com o presidente da CBF (Rogério Caboclo) e com o Walter (Feldman, secretário-geral) sobre clube-empresa. A gente está querendo voltar esse debate. Nós entendemos que o futebol brasileiro precisa de mais capital, capital estrangeiro, e não vai entrar capital estrangeiro - nenhum tipo de capital privado - sem uma estrutura profissional nos clubes brasileiros", afirmou Maia.

O projeto, inclusive, já teve seus primeiros passos dados em Brasília. "Já conversei com o Paulo Guedes (ministro da Economia) uma ideia de a gente construir uma solução, inclusive com (um possível) parcelamento de dívidas. É muito embrionário, mas a ideia é que a gente construa incentivos para que ser empresa tenha mais vantagens do que ser um clube associativo", comentou o presidente da Câmara.

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Para Rodrigo Maia, os clubes brasileiros estão em vias de se tornar insustentáveis. "Nós precisamos da entrada de capital estrangeiro. Um clube associativo não vai atrair capital privado nenhum, muito menos estrangeiro, porque a forma de administração é primária, primitiva, atrasada, que não gera eficiência, que não gera transparência, e que não gera bons clubes de futebol no Brasil. Tirando Flamengo, Corinthians e Palmeiras, pelo patrocínio da Crefisa, todos os outros caminham para uma situação de inviabilização", considerou.

Segundo ele, a solução está na criação de clubes-empresas, uma discussão que já havia surgido no início dos anos 2000, mas que acabou não dando certo. "A gente tem que estimular o clube empresa. Vai ter que criar alguma estrutura. Eu tenho pensando nisso, junto com alguns deputados, de estimular que os incentivos tributários que um clube associativo têm hoje que eles sejam transferidos para um clube-empresa, ou que o parcelamento de dívidas - que alguns clubes, como o Botafogo, não têm condições de parcelar da forma como foi colocada da última vez - só poder aderir ao clube-empresa."

O projeto deverá ganhar as discussões na Câmara ainda neste segundo semestre, "depois que acabar a reforma da previdência", disse Maia, e possivelmente em paralelo com a reforma tributária. "A tributária já estamos tocando, devagarzinho, conversando com o presidente do Senado, com o presidente da República, para que a gente possa fazer uma pactuação junto com os governadores, já que afeta também toda a federação".

Conselheiro do Botafogo, Rodrigo Maia disse ainda que esteve na CBF com o intuito de buscar ajuda ao clube. "Minha principal vinda até aqui foi pra pedir ao presidente da CBF que ajude o Botafogo. O Botafogo precisa colocar os salários em dia", disse o deputado, para depois avisar: "Mas ainda não o convenci".

O parlamentar aproveitou a ida à CBF para acompanhar a apresentação da nova técnica da seleção feminina, a sueca Pia Sundhage. "Como eu perdi as esperanças na convocação de um jogador do Botafogo no masculino, quem sabe no feminino aparece uma botafoguense lá...", brincou Maia.

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