Rodrigo Corsi/FPF
Rodrigo Corsi/FPF

Edina lutou para ser árbitra: 'Minha mãe dizia que não era coisa de mulher'

Após 20 anos de carreira e com trabalho no Mundial de Clubes da Fifa no Catar, ela ganha a chance de comandar seu primeiro clássico Corinthians e Palmeiras

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2021 | 05h00

O dérbi desta quarta-feira entre Corinthians e Palmeiras terá pela primeira vez o comando de uma mulher. A partida vale pelo Campeonato Paulista Sicredi 2021. A paranaense Edina Alves Batista, de 41 anos, vai comandar o clássico em São Paulo e ampliar a lista de feitos na carreira. Ainda neste ano, ela foi a primeira mulher a atuar no Mundial de Clubes da Fifa.

Nascida em Goioerê, no Oeste do Estado, Edina é formada em Educação Física e começou na arbitragem há 20 anos, contra a vontade da família. "Minha mãe dizia que ser árbitra não era coisa de menina. Ela queria que eu fizesse cursos de datilografia ou pintura", disse ao Estadão no início deste ano.

O início foi como assistente em jogos amadores, mas logo Edina quis levar a carreira com seriedade e para pagar os estudos, arrumou um trabalho. "O meu primeiro emprego foi em um viveiro de mudas. Eu enchia os saquinhos de terra para poder pagar meus estudos. Eu gostava do serviço", afirmou.

O trabalho aos poucos ganhou reconhecimento e em 2019 ela estreou no comando de um jogo da Série A do Campeonato Brasileiro. Há três anos, a árbitra se mudou para São Paulo e se dedica exclusivamente ao futebol. Durante a semana, divide a rotina entre treinos físicos, viagens, aulas de inglês e estudo sobre as regras.

Orgulhosa das conquistas, Edina tem como sonho apitar em uma partida da Olimpíada. O objetivo de atuar em Mundiais foi conquistado ainda e 2019, quando dirigiu a semifinal da Copa Feminina entre Inglaterra e Estados Unidos, disputada na França. Mês passado, no Catar, conduziu uma partida do Mundial de Clubes.

O crescimento na profissão faz Edina sonhar que em um futuro bem próximo possa existir um olhar mais aberto sobre a arbitragem no futebol. "Está chegando a hora de nós, os árbitros, não sermos mais tratados por gênero, mas sim por capacidade. Tudo está indo por esse caminho agora”, disse. “A divisão por gênero tem de acabar. Tudo tem de ser pela competência", afirmou.

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