Divulgação/CBF
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Conheça Ednaldo Rodrigues, presidente interino da CBF que busca 'limpar' o nome da entidade

Dirigente possui boa reputação nas regiões Norte e Nordeste e comandou a Federação Baiana por 18 anos até deixar o cargo em 2019; desde o fim de agosto, está à frente da confederação responsável pelo futebol brasileiro

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2021 | 14h00

Após Rogério Caboclo ter a suspensão de 21 meses confirmada na CBF, o comando da principal entidade do futebol brasileira ficará nas mãos de Ednaldo Rodrigues. Ele, que era um dos oito vice-presidentes da entidade, está à frente da confederação desde 27 de agosto, quando assumiu o lugar do Coronel Antônio Nunes. Seu período de mandato, porém, ainda não foi definido, e é incerto. Rodrigues foi selecionado pelo Conselho de Administração da CBF e tem apoio de dirigentes das 27 federações estaduais. "Vamos tentar (conduzir a CBF) com a vontade de Deus e dos Orixás", disse o dirigente pouco depois do anúncio da punição de Caboclo.

Além de possuir boa reputação nas regiões Norte e Nordeste do País, o cartola é considerado nome certo para colocar o caso Caboclo no passado, já que não possui relação próxima nem com ele nem com Marco Polo del Nero, ex-presidente da CBF banido pela Fifa em 2018 por violar diversos artigos do Código de Ética da entidade. No começo do mês, a Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês) reduziu a pena de Del Nero, trocando o banimento definitivo por uma suspensão de 20 anos.

Há dois anos, Rodrigues deixou o cargo de presidente da Federação Baiana de Futebol, posição que ocupava desde 2001. Um ponto negativo em seu histórico é a aliança com Ricardo Teixeira, ex-mandatário da entidade máxima do futebol brasileiro, que renunciou em março de 2012 após escândalos de corrupção durante os 23 anos de gestão. Há pouco mais de duas semanas, Teixeira teve o apelo rejeitado no mesmo CAS e continua banido do futebol por toda a vida.

No entanto, o trabalho que fez em prol do futebol feminino e na reestruturação das categorias de base no Estado da Bahia contam a favor do sétimo presidente da CBF em dez anos. A relação de Rodrigues com os clubes baianos, no entanto, nem sempre foi das melhores. Embora tenha ganhado a confiança de ligas do interior e de algumas equipes da região, a falta de premiação ao campeão baiano durante boa parte de seu mandato prejudicaram sua imagem e causaram pedidos de saída. 

Em duas oportunidades, ele esteve junto da seleção brasileira como chefe da delegação. A primeira foi em 2013, em amistoso contra a Inglaterra, em Londres. Quatro anos mais tarde, acompanhou a equipe nos amistosos contra Japão e, novamente, Inglaterra. Como forma de agradecer suas contribuições ao futebol baiano, a Assembleia Legislativa da Bahia homenageou Rodrigues em 2019 com a Comenda Dois de Julho, maior condecoração do Legislativo destinada a personalidades que prestaram serviços ao Estado. 

Ao assumir, o dirigente prometeu mudanças nas práticas da CBF para evitar novos casos de assédio. "A partir de agora, nós vamos trabalhar, com os nossos colegas vice-presidentes e ouvindo todas as federações, no sentido de adotarmos práticas que sejam sempre para combater qualquer tipo de assédio ou discriminação", disse. "Qualquer tipo de violência tem de ser combatida, principalmente a violência e discriminação que existem contra a mulher, em todos os segmentos, seja no futebol, seja na indústria, no comércio, na imprensa. Acho que a CBF demonstra, neste momento, nesta decisão histórica e por unanimidade, de 27 presidentes de federações, que nesta Casa não pode mais acontecer esse tipo de situação."

Rodrigues entende que o retrospecto de presidentes da entidade é dos piores. Dos sete mandatários que estiveram no poder nos últimos dez anos, excluindo dois interinos, quatro se envolveram nos mais diversos desvios de conduta. Conspiração, recebimento de propina e assédio são algumas das infrações. "É lógico que todos também ficam pensando: 'será que vai acontecer (outro tipo de desvio de conduta)?' A gente tem de ser realista e provar o contrário, com atitudes, com trabalho, com profissionalismo e, acima de tudo, com lisura e ética, para que esse tipo de crime que aconteceu não volte a acontecer", afirmou.

O dirigente preferiu não dizer se pretende concorrer nas próximas eleições da CBF, marcadas para abril do ano que vem. A suspensão de Caboclo vai até março de 2023, e seu mandato termina em abril. Há ainda a possibilidade de a escolha do próximo mandatário ser adiantada. De qualquer forma, Rodrigues adota um tom de cautela e diz que lidará com as questões da entidade "degrau por degrau".

Ele tem algumas decisões e encaminhamentos para fazer de imediato. O primeiro deles talvez seja acalmar os patrocinadores da CBF com tudo isso que ocorreu com o presidente Caboclo dentro da entidade. Todos esses patrocinadores pediram para que o caso fosse investigado e que decisões fossem tomadas. Ele terá de traçar e aprovar o caminho da seleção brasileira a partir do momento que o time de Tite confirme sua classificação para a Copa do Catar, no ano que vem. Terá ainda de resolver o calendário do futebol nacional, muito questionado pela quantidade de partidas. E conduzir a política dos torneios regionais, que começam no início do próximo ano. Trabalho, portanto, não falta na CBF. 

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