Paulo Pinto/Estadão
Paulo Pinto/Estadão

Conheça histórias de jogadores de futebol que desperdiçaram dinheiro

Reportagem recupera exemplos de atletas que não fizeram bom uso do salário como profissional

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

04 de março de 2019 | 04h30

Em conversas com jogadores e gestores financeiros, o Estado recupera histórias de atletas que não conseguiram administrar corretamente o dinheiro ou se tornaram vítimas de golpes. Um dos exemplos mais famosos nesse tipo de assunto é do ex-atacante Muller, que admitiu ter perdido o dinheiro conquistado na carreira como profissional.

Ex-atacante da seleção brasileira foi à falência

O caso mais famoso de atleta que perdeu muito dinheiro depois de se aposentar do futebol é o ex-atacante Muller. O ídolo do São Paulo e tetracampeão mundial com a seleção brasileira na Copa de 1994 admitiu a situação em 2011, em entrevista ao jornal Marca, em que comentou sobre o arrependimento de não ter se organizado melhor com as finanças.

Na época da entrevista, Muller contou que estava sem plano de saúde, carros ou casa. "Errei muito na vida. Tive bons momentos financeiros, mas errei. Fiz muita bobagem. Gastei tudo com besteira, com mulheres e carros", disse na ocasião. O ex-jogador contou que já comprou mais de 20 veículos. "Gastei com vaidades pessoais. Gastei dinheiro com amigos de ocasião. Por eu ser uma pessoa generosa, muita gente se aproveitou mesmo de mim", completou.

Em 2011 o ex-atacante estava morando de favor na casa de Pavão, antigo colega de São Paulo. Depois do fim da carreira, Muller trabalhou como treinador, foi pastor de igreja, ficou três anos desempregado e se recuperou ao retomar a carreira como comentarista esportivo em emissoras de televisão. Outra fonte de renda é participar como convidado em amistosos e partidas na categoria master.

Carros de luxo empoeirando na garagem

Um jogador que atua no exterior recebeu uma orientação anos atrás para diminuir os gastos no Brasil. O atleta fazia questão de manter na sua cidade natal uma mansão de luxo com vários carros importados na garagem, mesmo sem usar todo esse conforto diariamente, pois vivia em outro continente e só frequentava o local durante um mês por ano, quando estava de férias.

O profissional responsável por avaliar as finanças sugeriu que o jogador abrisse mão de manter esses bens. Pelas contas dele, o atleta gastaria menos se alugasse uma casa e carros de luxo apenas para o período em que estivesse no Brasil. A justificativa foi de que anualmente a estrutura mantida na cidade representava um gasto muito grande com impostos e a manutenção do imóvel.

Apesar disso, o jogador insistiu e não quis mudar de ideia. Ele entendeu que seria interessante continuar com a casa e os carros na cidade por ser mais cômodo e por representarem também o símbolo da carreira vitoriosa.

Em um outro caso parecido, um jogador que ganhava cerca de R$ 200 mil gastava todo o salário no pagamento das parcelas de três imóveis financiados. Após ser convencido por um amigo a realizar o investimento, ele decidir procurar ajuda, pois todos os meses ele usava o limite do cheque especial fornecido pelo banco.

Atleta pagou casa que nunca foi construída

Recentemente uma consultoria de investimentos analisou a contas de um jogador e encontrou um grande desperdício nela. O atleta, cujo nome não foi revelado, tinha a família em outro Estado e entrou em acordo com uma pessoa próxima a fim de repassar todo mês cerca de R$ 30 mil, com a promessa de que o valor seria investido na construção de uma casa avaliada em R$ 1 milhão, a ser erguida em terreno de bairro nobre.

Uma auditoria nos extratos bancários encontrou informações de que a mensalidade foi paga durante mais de dois anos. Apesar disso, o jogador não havia assinado contrato com o tal amigo para a prestação do serviço. Toda a operação foi executada na base da conversa, da confiança nos parceiros.

Como o jogador atuava em um clube longe da cidade natal, não chegou a acompanhar a obra. A consultoria contratada pelo atleta passou a desconfiar da situação e decidiu, então, enviar um funcionário até a cidade a fim de verificar o andamento da construção. Não deu outra. Na chegada ao possível empreendimento, não havia casa. 

Durante os mais de dois anos de repasses mensais, o terreno tinha somente uma cerca de arame farpado e o início de uma fundação de casa, com vestígios de que a obra estava parada havia meses. O jogador não conseguiu recuperar o prejuízo.

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