Andrew Testa/The New York Times
Andrew Testa/The New York Times

Conheça o time na Inglaterra que é escalado pelo torcedor

Fundado este ano, United London FC define formação que entra em campo por votação na internet

Jack Williams, The New York Times

02 Outubro 2016 | 05h00

À primeira vista, a linha lateral de onde joga o United London FC contém o que se esperaria de uma partida de futebol de nível amador em um campo alugado na capital da Inglaterra: garrafas de água, várias bolas, reservas no aquecimento e uma torcida que o presidente do clube, Mark North, descreve como “um homem e seu cão’’.

O que chama mais a atenção é o que está faltando: um técnico. No United London, a posição do treinador tradicional é desnecessária. Em seu lugar, a equipe é escalada pelos torcedores do time toda semana. Formado este ano e atualmente jogando na Primeira Liga da Essex Alliance – a 12.ª divisão do futebol da Inglaterra –, o United London afirma ser o único time sem técnico do mundo.

No lugar de um treinador tradicional, seu modelo de negócio reúne elementos de votações de reality TV e dados de jogadores semelhantes aos usados em videogames e por olheiros. Emprega um sistema no estilo futebol fantasia, que premia ou tira pontos dos torcedores da equipe com base na escalação, nos jogadores que marcam gol ou fazem assistência ou ainda que impedem que o adversário marque pontos.

“No futebol fora da Liga, não há muito espectador, porque a Premier League toma conta de tudo. É aí que queremos ser diferentes, porque estamos construindo uma torcida online, não de uma localidade’’, comentou North, de 38 anos.

Até hoje, mais de duas mil pessoas se inscreveram no clube, que jogou sua primeira partida competitiva no início de setembro. A equipe diz ter torcedores na Austrália, Argentina, Brasil, Canadá, Suécia e Estados Unidos.

A cada semana, os torcedores votam na escalação do United London, analisando as estatísticas de jogadores e checando relatórios e vídeos de jogos das semanas anteriores. Após o término da votação na sexta-feira, a equipe de sábado é anunciada. “Acho que é legal, porque mantém a torcida envolvida. Os torcedores têm mais influência do que, digamos, no Real Madrid. O Zidane não vai te perguntar se o Cristiano Ronaldo deve começar jogando ou não’’, disse John Frusciante, de 19 anos, de Aberdeen, Nova Jersey, que se inscreveu recentemente.

North disse que a ideia para a equipe lhe ocorreu no ano passado, enquanto ele e a esposa assistiam tevê, em um sábado à noite. Cansado de programas de dança de salão e concursos de cantores, North, que trabalhava com recrutamento financeiro na época, começou a conceber formas de aplicar o modelo de voto dos reality shows ao futebol.

Enquanto tentava encontrar integrantes para um time de base, North percebeu que tinha acesso a grande número deles assim que eram preteridos pelos clubes profissionais ingleses. Após esse corte, muitos abandonam suas esperanças de jogar futebol profissional por volta dos 18 anos. O United London, então, se apresenta como uma segunda chance, tanto que o distintivo do clube traz uma fênix ressurgindo das chamas.

“Um monte de jogadores, quando chegam aos 18, 19, 20 anos, não têm currículo’’, disse Jon Willis, chefe de recrutamento no Centro de Carreiras Futebolísticas, organização que ajuda a colocar os atletas em novos clubes. Willis disse que o United London permitia que os jogadores redefinissem sua carreira ou tentassem chamar a atenção de um novo clube.  “O programa é interessante porque todos os jogos são gravados. Vai colocar os jogadores na vitrine’’, comentou Willis.

O United London criou uma equipe diversificada. Entre os jogadores, um jovem turco; o rapaz que, segundo o clube, foi o quarto mais rápido do Reino Unido no ano passado; o sobrinho de um atacante estrangeiro que joga na Inglaterra...

Por enquanto, os torcedores do United London podem influenciar a escalação da equipe apenas antes das partidas. Em um site de aparência simples, eles encontram uma escalação sem jogadores, que podem preencher selecionando nomes de menus drop-down abaixo de cada posição.

Clicar na estrela acima do nome de um jogador indica que ele foi escolhido para ser o capitão, dando ao “técnico’’ o dobro de pontos, caso tenha um bom desempenho. Conforme a tecnologia for melhorando, disse North, o clube gostaria de permitir que a torcida decidisse também sobre as substituições e outras questões. Por enquanto, essas e os treinos ficam a cargo de membros do United London.

O papel de North no clube inclui a tarefa de montar as redes antes dos jogos, mas ele também se reúne todos os domingos para contar cada passe, drible e chute da partida do dia anterior, para que os torcedores tenham as informações necessárias para votar na semana seguinte. 

Porém, isso não lhe dá a vantagem de ser “de casa’’ quando faz sua própria escalação. “Fui apenas o sétimo colocado – um sueco ficou no topo do ranking. E olha que eu conheço todos eles!’’

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