Cesar Greco/ Palmeiras
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Robson Morelli
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Conmebol dá um ‘dane-se’ ao futebol brasileiro para valorizar seus torneios, como a Libertadores

Na semana das competições sul-americanas, times brasileiros são obrigados a poupar jogadores no Brasileirão por causa do calendário e o que se vê são jogos ruins com times remendados

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2022 | 05h00

A organização do futebol brasileiro estraga seu próprio produto. CBF e clubes não se emendam e sofrem com o calendário cheio de jogos, sem descanso físico e mental para jogadores e técnicos. Nem mesmo quando a seleção de Tite entra em campo, o futebol para. Maior prova disso é a semana que se abre para a Libertadores. Os times desencanaram do Brasileirão na rodada do fim de semana para dar descanso a seus atletas a fim de encarar rivais mais duros nas partidas de ida das oitavas da competição sul-americana. O expediente vale tanto para a Libertadores quanto para a Sul-americana. Há clubes do Brasil nas duas competições.

Quando se olha para as escalações dos times que atuaram sábado e domingo no Brasileirão, fica fácil entender como é nocivo o calendário. Os treinadores são obrigados a poupar jogadores, a tentar montar equipes equilibradas com o elenco que têm nas mãos, descontando suspensões, contusões, prováveis vendas e demissões, como é o caso de Jô, do Corinthians, que deixou o time na mão semana passada. O Corinthians encara o Boca Juniors pela Libertadores. Os jogos, claro, foram péssimos. 

A CBF, que já fez boas coisas nos últimos anos, se mostra incompetente para solucionar o problema, de modo a fazer com que os técnicos acabem se acostumando com a bagunça. Os estrangeiros têm chorado mais. Os brasileiros parecem conformados, afinal, estão nisso há décadas, com promessas de melhora a cada temporada que se inicia. Promessas de político, porque quase nada acontece de fato.

A medicina esportiva já provou por a + b que o corpo de um atleta não aguenta tantos jogos seguidos na intensidade atual do futebol – alguns jogadores correm 14 km em 90 minutos. Há risco de contusão. A lei, da própria CBF, reza que cada time não pode jogar duas partidas seguidas antes do prazo de 72 horas entre elas. Não leva em conta tempo de recuperação física nem de treinamento e deslocamentos.

Por isso que se cobra tanto da CBF e dos clubes que aceitam essa situação esdrúxula. O torcedor é quem mais perde. Ele tem de se contentar em ver times fracos porque os melhores jogadores estão no banco de reservas descansando para partidas mais decisivas, como serão todas envolvendo os clubes brasileiros na semana. Entre escalar o time principal em um torneio de 38 rodadas, como o Brasileirão, e resguardar o grupo para um mata-mata de Libertadores, até uma criança sabe a resposta.

O calendário sul-americano desenhado pela Conmebol se sobrepõe ao calendário brasileiro rabiscado pela CBF. Em outras palavras, os cartolas da Confederação Sul-americana de Futebol mandam um “dane-se” para seus pares brasileiros e para todos os presidentes de times do País que vão à sede da entidade com o conhecido complexo de vira-lata.

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