Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Conmebol deve decidir caso de racismo contra Tinga na segunda-feira

Para presidente de comissão da entidade no Brasil, punição deve ser branda

O Estado de S. Paulo

21 de março de 2014 | 00h24

SÃO PAULO - A Conmebol concluiu nesta quinta-feira a primeira fase de investigações sobre as ofensas racistas sofridas pelo volante Tinga, do Cruzeiro, durante partida pela Copa Libertadores contra o Real Garcilaso, no Peru, em fevereiro. De acordo com o presidente da Comissão de 1.ª Instância do Tribunal Disciplinar da Confederação, Caio César Rocha, a decisão do caso deve ser expedida até o final da tarde da próxima segunda-feira, 24.

"A informação que eu tive de hoje (quinta), passada pela assessoria da Conmebol, é que foram encerradas as investigações preliminares. Foram utilizadas algumas provas de vídeo, essas provas foram encaminhadas ao Real Garcilaso, que já se manifestou sobre elas", disse Rocha em entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais. Ele não participa da comissão que analisa o caso por ser brasileiro.

O presidente, que é advogado, não prevê qual será a pena aplicada ao Real Garcilaso pelos insultos de seus torcedores. Para ele, a perda de pontos na Libertadores seria uma medida extrema para os parâmetros da Conmebol. "Pelo histórico do tribunal, acredito que será analisado o nível de gravidade, mas também com intenção de aplicar uma pena mais didática, não muito radical, mas alertando o clube e os demais que participam da competição, que se situações como esta voltarem a se repetir, as penas podem ser mais graves".

Multa ou jogos com portões fechados são punições mais plausíveis na opinião de Rocha. De acordo com o regulamento da Libertadores, elaborado pela Conmebol, a penalidade prevista para comportamentos discriminatórios, como em casos de racismo, prevê desde multa branda, a partir de US$ 3 mil, a eliminação no campeonato.

RACISMO NO FUTEBOL

O caso Tinga foi apenas um entre quatro casos recentes de discriminação racial contra brasileiros dentro de campo. O volante cruzeirense, que é negro, foi chamado de macaco por peruanos durante uma partida da Libertadores.

Além dele, o árbitro Márcio Chagas foi ofendido no Campeonato Gaúcho por torcedores do Esportivo. Poucos dias depois, Arouca, atleta do Santos, foi vítima de racismo pela torcida do também paulista Mogi Mirim. Em Minas Gerais, o lateral Francisco Assis, do Uberlândia, foi xingado por um torcedor, que acabou sendo levado para uma delegacia e liberado em seguida.

Em resposta aos recentes comportamentos nos estádios, a presidente Dilma Rousseff prometeu intensificar as medidas contra o racismo, afirmou que o Governo Federal, em parceria com a ONU e a Fifa, combaterão a discriminação durante a Copa do Mundo e recebeu Tinga e Márcio Chagas em Brasília, em forma de solidariedade e apoio.

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