Jorge Saenz/ AP
Jorge Saenz/ AP

Conmebol lava as mãos sobre o futuro de Marco Polo Del Nero

Presidente Juan Napout desconversa em perguntas sobre brasileiro

Jamil Chade, Correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

24 de julho de 2015 | 18h05

A Conmebol lava as mãos em relação a Marco Polo Del Nero, presidente da CBF. Questionado sobre qual seria o futuro do brasileiro que deixou de ir às reuniões da Fifa ou da Conmebol, o presidente da entidade sul-americana, Juan Napout, foi taxativo: "essa é uma pergunta que precisa ser feita a ele". 

Del Nero faz parte do Comitê Executivo da Fifa e da Conmebol. Mas deixou de sair do Brasil depois que José Maria Marin, seu vice-presidente, foi preso. Del Nero, segundo o Estado revelou com exclusividade, está sob investigação nos EUA por corrupção.

No início da semana, o brasileiro já faltou à reunião decisiva da Fifa e argumentou que não viajaria por conta da CPI do futebol no Congresso e da aprovação de uma Medida Provisório sobre o financiamento dos clubes. Mas nenhuma das duas estava na pauta do governo ou do Legislativo esta semana. 

A CBF então garantiu que sua ausência não teria consequências e que ele teria mantido contato antes do encontro com a Conmebol. Napout, porém, o desmentiu e declarou que não falou com Del Nero antes do encontro. "Não falei com ele", disse o paraguaio ao Estado

Nesta sexta-feira, Del Nero faltou a mais duas reuniões, desta vez em São Petersburgo. A primeira foi do Comitê Organizador da Copa de 2018. O brasileiro é o vice-presidente e o calendário de jogos e escolhas de estádios foram anunciados pelo mesmo organismo. 

Também na Rússia, a Conmebol aproveitou para reunir seu Comitê Executivo. Napout, porém, evitou sair em defesa de Del Nero. "Não quero falar sobre o assunto", disse, visivelmente incomodado ao deixar o encontro. Ele ainda conta com outros problemas: sua entidade tem dois ex-presidentes (Nicolas Leoz e Eugenio Figueredo) e o tesoureiro (Carlos Chavez) presos. 

O único representante brasileiro era Reinaldo Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol e que desde o início do ano ocupa o cargo na Conmebol. "Todos os países na América do Sul estão enfrentando dificuldades nesse momento", declarou Napout. 

Pelas regras da Fifa, não existe um prazo para que Del Nero volte a participar dos encontros. Mas é na Conmebol que a pressão começa a crescer. Isso porque a entidade tem três votos nos 24 possíveis no governo do futebol mundial. Com a ausência de Del Nero, a influência fica ainda mais reduzida. 

Em setembro, porém, uma nova reunião da Fifa está agendada e, se Del Nero não comparecer, a Conmebol terá apenas dois votos na definição das reformas da Fifa. Entre as medidas estão itens que não agradam à Conmebol: a publicação dos salários dos cartolas e a criação de uma ficha limpa para assumir cargos na entidade. 

Questionado sobre o que ocorreria com entidades que não cumprem essa regra, o presidente da entidade de futebol da Colômbia e membro da Fifa, Luis Erberto Bedoya Giraldo, apenas riu. "Cada um com seus problemas". 

Napout ainda garantiu que a Conmebol ainda quer diputar a Copa América de 2016, marcada para ocorrer nos EUA. O evento, porém, está na mira dos FBI por conta de propinas pagas no torneio que comemoraria o centenário da Copa América.  Napout, porém, admite que não sabe que a Concacaf vai querer disputar o torneio contra os sul-americanos, depois da crise. 

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