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Conmebol recebe pressão para punir Jara por 'mão boba'

Ato do zagueiro chileno provoca indignação entre os adversários 

ALMIR LEITE E GONÇALO JÚNIOR / ENVIADOS ESPECIAIS A SANTIAGO, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2015 | 07h44

A Conmebol abriu uma ação disciplinar contra o chileno Gonzalo Jara pela provocação que causou a expulsão do uruguaio Cavani no jogo de quarta-feira, e existe uma grande pressão externa para que ele seja punido com rigor e fique fora do restante da Copa América por causa da “mão boba” que tirou do sério o atacante. 

Na vitória por 1 a 0 que classificou o Chile para a semifinal, Cavani recebeu o cartão vermelho aos 18 minutos da etapa final por tocar o rosto de Jara, que foi ao chão. As imagens mostram que o gesto foi uma reação à “mão boba” do chileno. O juiz brasileiro Sandro Meira Ricci deu o segundo cartão amarelo e expulsou Cavani – o primeiro havia sido por reclamação. 

A investigação da Conmebol foi motivada por dois fatores. O primeiro foi a repercussão mundial do lance, o mais polêmico da Copa América. Na imprensa e nas redes sociais, a provocação de Jara foi mais comentada que a histórica classificação chilena, inédita desde 1999. O segundo fator foi a pressão. Wilmar Valdez, presidente da Associação Uruguaia de Futebol e vice-presidente da Conmebol, classificou a atuação como “uma vergonha”.

“Eu vi o que fez o jogador chileno. Na verdade, é humilhante, muito pior do que a mordida de Suárez”, disse Rafael Fernández, vice-presidente da entidade, referindo-se à dentada de Suárez em Chiellini na Copa do ano passado. 

A expulsão de Cavani e outras decisões polêmicas dos árbitros no torneio deixaram Fernández muito preocupado com o nível das arbitragens nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, que começarão em outubro. “É um tema que me preocupa muito. Deveria haver uma mudança na maneira como são escolhidos os árbitros.” Hoje os juízes são escalados por uma comissão.

Nesta quinta-feira, na chegada da delegação uruguaia a Montevidéu, o técnico Oscar Tabárez criticou a atitude de Jara. “O que ele fez foi muito feio, atingiu o íntimo de uma pessoa. Qualquer pessoa teria reagido.”

O técnico argentino Nestor Pekerman, que dirige a Colômbia, também condenou o jogador chileno. “A disputa no futebol deve sempre ser nobre. Trata-se de um esporte visto no mundo inteiro, e com regras que devem ser seguidas.” Para Gerardo Martino, da Argentina, o gesto do chileno foi “lamentável”.

Não foi a primeira vez que Jara protagonizou um incidente desse tipo com um uruguaio. Em 2013, Luis Suárez foi expulso em uma partida das Eliminatórias para a Copa por atingir Jara com um soco depois que ele tocou a sua genitália. 

GELADEIRA

Sandro Meira Ricci não vai mais apitar na competição. A justificativa oficial da Comissão de Arbitragem da Conmebol será de que não haverá repetição de juízes nos próximos jogos, mas a verdade é que sua atuação não agradou e ele deve ficar na “geladeira” nas primeiras rodadas das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018 – haverá quatro este ano.

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