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Conmebol vira cabo-eleitoral de Platini e cede à Europa

Entidade sul-americana costura aliança com federações europeias

Jamil Chade, correspondente em Zurique, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2015 | 09h07

Fragilizada e com parte de seus dirigentes sob suspeita, a Conmebol cede aos interesses comerciais e políticos do futebol europeu. O Estado apurou com exclusividade que Juan Napout, presidente da entidade sul-americana, tem disparado telefonemas e cartas a todos os países da região recomendando que deem seu voto ao francês Michel Platini na eleição da Fifa, marcada para fevereiro de 2016.

O próprio francês não esconde a satisfação com o apoio sul-americano. Questionado se não iria até a região fazer campanha, ele apenas respondeu: "Não precisa. Já tenho o apoio." Platini chega a evitar críticas à ausência do brasileiro Marco Polo Del Nero, presidente da CBF, que há quatro meses não aparece nas reuniões da entidade. "Isso já aconteceu em outras ocasiões, com pessoas que estiveram doentes", disse, minimizando a situação de Del Nero.

A corrida presidencial na Fifa tem dominado a agenda da entidade, desgovernada sem um secretário-geral, com um presidente que não pode deixar a Suíça e administrada de fato por escritórios de advocacia que ditam tudo o que se pode e o que não se pode fazer na organização.

Na busca por aliados, Platini fechou um acordo com a presidência da Conmebol para não apoiar nenhum nome da região, o que deixou Zico isolado e obrigado a buscar votos na Ásia. 

A ligação entre a Conmebol e os europeus vai além. Desde o fim do ano passado, a entidade contratou como seu diretor-geral o espanhol Gorka Villar, filho do presidente da Federação Espanhola de Futebol. Ele já havia assessorado dois ex-presidentes da Conmebol, ambos presos na Europa por corrupção.

Do lado europeu, a percepção é de que a fragilidade da Conmebol é a chance de fortalecer o poder da Uefa no controle do futebol mundial. Dois ex-presidentes da Conmebol - Nicolás Leoz e Eugênio Figueredo - aguardam extradição aos EUA. O tesoureiro, Carlos Chavez, está preso na Bolívia. Os dirigentes da Venezuela e o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, estão presos na Suíça e Marco Polo Del Nero não se atreve a sair do Brasil, temendo também ser detido.

Napout, antes de chegar a Zurique, visitou Del Nero no Rio de Janeiro para coordenar posições. Mas tem feito campanha ativa para que não surja um nome de força na América do Sul que possa desafiar Platini. 

Em troca, o paraguaio espera conseguir que o novo presidente da Fifa mantenha os lugares para as seleções sul-americanas nas Copas e que a reforma da entidade não esvazie as confederações regionais. Questionado como estava a campanha em busca de votos, Platini não disfarçou: "Muito bem."

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