Lucas Figueiredo/CBF
Lucas Figueiredo/CBF

'Consegui superar a desconfiança que havia sobre meu trabalho'

Goleiro deverá ser convocado nesta segunda-feira por Tite e tem vaga praticamente certa na Copa

Entrevista com

Alisson, goleiro da seleção brasileira

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

12 Março 2018 | 07h00

Nome certo na lista que o técnico Tite apresenta nesta segunda-feira para os últimos amistosos da seleção contra Rússia e Alemanha e quase garantido como o camisa 1 na Copa, o goleiro Alisson nem sempre foi unanimidade. Ele penou na reserva da Roma em 2016/2017. Hoje, Alisson Ramsés Becker deu a volta por cima. Segundo o Daily Mail, o Liverpool pode tirar 62 milhões de libras (R$ 279 milhões) da carteira para contratá-lo. Aos 25 anos, ele seria o goleiro mais caro da história. Sem rodeios ao Estado, diz que faz grande temporada, ainda não se sente na Copa e que não falou com Neymar, submetido à cirurgia no pé direito. 

+ Tite ainda busca um 'ritmista' para a seleção brasileira

Um ano atrás, você era reserva na Roma. Hoje, é titular na seleção. O que aconteceu?

Do ponto de vista individual, estou fazendo uma grande temporada e venho tendo boas atuações pela minha equipe e pela seleção. Fiz muitos jogos na temporada passada pela seleção quando estava no banco aqui na Roma. Foi o momento mais delicado na carreira. Mas trabalhei muito forte e chegou a minha oportunidade nesta temporada. Venho aproveitando da melhor maneira. 

Como foi ser reserva no clube e camisa 1 da seleção?

Não é fácil. Eu vinha do Internacional onde jogava 50 jogos na temporada. Você espera chegar e jogar, mas acaba ficando mais no banco. Jogando ou não, sempre trabalhei forte. Eu sabia que teria oportunidade. Demorou um pouco mais do que eu imaginava, mas assumi a titularidade. Agradeço a confiança do Tite e do Taffarel que me mantiveram no gol da seleção mesmo sem ritmo de jogo. Eles deram continuidade ao trabalho que tinha começado com o Dunga.

Você sentia que as pessoas desconfiavam de você?

Sempre teve desconfiança de algum comentarista ou de algum torcedor, mas entendo isso. O futebol brasileiro está sempre em alto nível. Por isso, a cobrança é normal. O Tite sempre disse que precisamos estar bem dentro da nossa equipe, no nosso dia a dia no clube. Existia uma cobrança, mas nunca deixei de fazer o meu melhor. Acho que consegui tirar a desconfiança sobre o meu trabalho. Isso não me afetou de maneira negativa e me deu força para trabalhar. 

Como se sente diante do interesse de outros clubes da Europa? Você pode virar o goleiro mais caro do mundo...

Eu me sinto satisfeito pelo trabalho reconhecido. O mais importante, no entanto, é ter o carinho da torcida da Roma, do Brasil e dos meus treinadores. 

A Roma tem um jogo importante nesta terça-feira diante do Shakhtar para definir a vaga na próxima fase da Liga dos Campeões. Qual é a receita para se classificar?

É um jogo muito importante. Até o momento, será o jogo mais importante da temporada. Sabemos que não vai ser fácil. O Shakhtar tem uma equipe muito qualificada, com criatividade. Teremos de fazer uma partida perfeita para a obter classificação. 

Você já se sente na Copa?

A gente trabalha para isso, pensando na Copa da Rússia. Não existe nenhum nome garantido. Vai depender do meu desempenho no clube e na seleção. Ninguém tem cadeira cativa. Vou continuar trabalhando para ser lembrado pelo Tite. 

Mesmo sendo titular, está ansioso para a convocação?

A gente cria cada vez mais expectativa porque está chegando o momento da Copa. Eu sempre fico ansioso esperando para ver se o meu nome será chamado. Talvez a expectativa seja maior do que na primeira vez. Eu me sinto inserido no grupo e, por isso, a gente quer voltar. A expectativa é grande.

Como é o seu relacionamento com o Taffarel (preparador de goleiros da seleção)? 

Muito bom. A gente acabou criando um vínculo, uma amizade por conviver junto por tanto tempo. Fiz a maioria dos meus amigos no futebol e ele é mais um por quem tenho muito carinho, além de ser um ídolo. Eu o via como ídolo, hoje ele é o professor ali dentro e o amigo fora. Ele procura ajudar todos os goleiros, com conselhos não só dentro de campo. 

Vocês conversam sempre?

Sim. A gente mantém contato com toda a comissão técnica. É normal ter maior afinidade com o treinador de goleiros. É uma relação de confiança mútua. A convivência te dá isso. Fora das convocações, a gente não se vê muito, mas tem celular e nos falamos bastante. 

Você falou com o Neymar antes ou depois da cirurgia?

Acabei não falando com ele, mas ele faz falta quando se ausenta. Espero que se recupere da melhor maneira possível. O momento de lesão pode fortalecer a gente ainda mais. 

Como você se define?

Se tem uma palavra que me define é simplicidade. Procuro simplificar minhas ações e minhas defesas. Eu procuro fazer o básico para chegar nos resultados positivos. Quando tem de se jogar, eu me jogo. Quando tem de pular, eu pulo. Mas gosto de fazer o simples. 

Qual é o seu sonho?

Essa é fácil. Ser campeão do mundo com a seleção. 

E o seu principal medo?

Medo de errar, talvez. Medo de se omitir, de não tentar. Eu procuro sempre tentar e arriscar para conseguir o melhor.

 

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