Alex Silva/Estadão - 17/3/2013
Alex Silva/Estadão - 17/3/2013

Conselheiros do São Paulo pressionam técnico Ney Franco

Juvenal Juvêncio tem ouvido de seus colegas que o treinador já perdeu o controle do grupo

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

19 de março de 2013 | 07h58

SÃO PAULO - Independentemente da confiança depositada publicamente pelo presidente Juvenal Juvêncio, o técnico Ney Franco sabe que entrou em rota de colisão com três jogadores importantes do elenco e muitos conselheiros do São Paulo usam isso para dizer ao cartola que o treinador perdeu o comando do grupo.

A gota d’água foi a maneira como o zagueiro Lúcio tratou sua substituição na partida contra o Arsenal, na Argentina. Visivelmente irritado, preferiu não ficar no banco de reservas com os companheiros e ainda foi antes para o ônibus da delegação.

Só que o caso de Lúcio não foi o primeiro desde a chegada de Ney Franco. Antes, na temporada passada, o goleiro e capitão Rogério Ceni já havia sido repreendido publicamente por tentar se intrometer em uma alteração na equipe. O jogador queria a entrada de Cícero, mas o comandante optou por William José.

Neste ano foi a vez de Ganso mostrar um grande descontentamento ao ser sacado durante a partida contra o Palmeiras, pelo Campeonato Paulista. Mesmo após esses episódios, o presidente Juvenal Juvêncio deu respaldo ao treinador. "Continuo como todos que militam no futebol, ele é o técnico e sabe o momento da mexida", disse após a derrota da equipe para o Arsenal pela Libertadores.

O dirigente acha que o comandante mostrou personalidade quando foi preciso - inclusive ao responder a João Paulo de Jesus Lopes, vice-presidente de futebol, que chamou a atuação da equipe na vitória sobre o The Strongest de "vergonhosa" - e conseguiu manter o comando.

Juvenal também deu respaldo ao treinador quando, após a partida contra o Oeste, no domingo, deu um ultimato aos jogadores, garantindo que não vai admitir mais que se rebelem contra as suas decisões táticas. Tudo isso fez com que Ney ganhasse pontos com o próprio Juvenal, que já declarou estar cansado de mudanças no comando. "Estão ocorrendo acidentes de percurso e isso faz parte do futebol."

Juvenal entende que muitos jogadores não estão demonstrando o mesmo futebol que já apresentaram antes. É o caso do lateral-esquerdo Bruno Cortez, dos volantes Denilson e Wellington, do lateral-direito Douglas, entre outros. "Essas dificuldades são inerentes. Jogador que se comporta melhor, que tem performance, depois cai. Era desejável que não tivesse, mas tem", explicou. O dirigente também vê que Ganso está tendo chances e ainda não chegou nem aos pés do meia que foi no Santos. Tanto que o atleta já atuou 15 vezes na temporada, sendo titular em oito partidas. Em apenas dois jogos ele não atuou.

Assim, o dirigente torce para que o técnico acerte a equipe e consiga a classificação para a próxima fase da Libertadores. Ele não quer mais mudar de técnico e descartou neste momento a volta de Paulo Autuori, que já chegou a conversar por duas vezes com o clube antes da chegada de Ney Franco e na ocasião desistiu de última hora. Isso, para Juvenal, foi o suficiente para que as portas de Autuori no São Paulo se fechassem.

POLÊMICA 

O volante Denilson perdeu a cabeça via Twitter com um torcedor e xingou o são-paulino pelas redes sociais, nesta segunda. O internauta disse para o jogador "parar de fazer marketing e honrar a camisa que diz que ama", entre outras coisas. O jogador respondeu com um palavrão e depois apagou a mensagem.

Nesta segunda-feira, Carleto e Edson Silva garantiram que o ambiente no clube é bom e que vão obedecer à hierarquia no São Paulo. Eles negaram que exista qualquer problema de relacionamento com o treinador, mas pela reação de Denilson é possível entender que o ambiente está pesado, até pela pressão que os jogadores estão sofrendo por causa da campanha ruim na Libertadores. O próprio Luis Fabiano confessou isso, após se recusar a comemorar seu gol contra o Oeste.

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