Filipe Araújo/AE - 6/10/2011
Filipe Araújo/AE - 6/10/2011

Conselho do Corinthians cobra de Andrés explicações sobre Itaquerão

Órgão do clube exige que presidente corintiano e Odebrecht divulguem valores e detalhes da obra

Vítor Marques, estadão.com.br

07 de outubro de 2011 | 18h01

SÃO PAULO - A entrevista que o presidente do CorinthiansAndrés Sanchez, deu à revista Época, de que o estádio em Itaquera custará mais de R$ 1 bilhão, não caiu bem no conselho deliberativo do clube, mesmo após a negativa do dirigente de ter feito tal declaração.

O presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, Carlos Senger, divulgou nota oficial nesta sexta-feira, obtida com exclusividade pelo estadão.com.br, na qual cobra que Andrés Sanchez divulgue não só o contrato firmado com a construtora Odebrecht, como também mostre o valor real de quanto custará o estádio na zona leste de São Paulo e como a dívida será paga.

"A negociação da empreiteira Odebrecht com o Corinthians tem necessariamente de ser a mais cristalina possível. O contrato a respeito não pode ser uma Caixa Preta", diz Senger na nota - leia a íntegra abaixo.

Senger cobra que o contrato seja entregue formalmente ao Conselho Deliberativo como prevê o artigo 140 do estatudo do clube. Ao que tudo indica, apenas Andrés tem conhecimento dos detalhes da grande obra. O contrato com a Odebrecht teria sido assinado dia 1 de setembro, data do aniversário do Corinthians, com a presença do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, um dos articuladores da construção. O estádio corintiano será anunciado dia 20, no Congresso da Fifa em Zurique, como palco da abertura da Copa de 2014.

Há um temor entre conselheiros de que realmente o estádio custe mais de R$ 1 bilhão e que isso comprometa as receitas do clube nos próximos dez anos. O Corinthians alega que os recursos para viabilizar o Itaquerão virão de empréstimo do BNDES, que ainda não foi liberado, e da linha de incentivo fiscal aberta pela prefeitura de São Paulo para investimentos na zona leste.

A proximidade das eleições para presidente do Corinthians também contribuíram para que o Itaquerão vire uma disputa política entre os que apoiam Andrés Sanches e os membros da oposição.

NOTA OFICIAL

Todos os corinthianos sonham, desde a fundação do clube, com o estádio próprio e agora este sonho

está se concretizando.

Os conselheiros do SC Corinthians Paulista, mais do que ninguém, estão até mesmo emocionados com esta empreitada.

Portanto, nenhum corinthiano autêntico sequer cogita a possibilidade de não irmos em frente com esta obra.

Mas, igualmente, os conselheiros, interpretando o sentimento de toda a nação corinthiana, querem obter informações básicas sobre o empreendimento.

Não é por mera curiosidade. Os conselheiros têm não só o direito, como o dever de conhecer em todas as minúcias o tipo de operação que o clube está fazendo.

Qual é o valor exato da obra? Como ela será paga? O que cabe ao Corinthians como encargo ou obrigação? Ou seja: dados mínimos para que se conheça em que base o negócio está sendo realizado.

Por isso, não se compreende a reação intempestiva do atual presidente do clube, Andrés  Sanchez, ao anunciar através de seus assessores que, caso persistam as indagações a respeito da operação-estádio, ele determinará a paralização das obras e dirá à torcida para cobrar deste ou daquele conselheiro a responsabilidade pela suspensão dos trabalhos.

Presidente, o porquê desta atitude, quando estamos irmanados no mesmo ideal? O que seria: Intimidação? Ameaça? Tudo tão desnecessário, pois o momento exige uma união de forças.

 

Desde quando um conselheiro pedir esclarecimentos diante do maior evento econômico-financeiro-patrimonial do clube merece este tipo de resposta?

É preciso que o presidente Sanchez entenda que uma de suas obrigações estatutárias é justamente prestar informações ao Conselho Deliberativo sobre o que lhe é arguído.

 

Ainda mais em se tratando de tema de tamanha importância.

As negociações com a empresa empreiteira Odebrecht e o Corinthians têm, necessariamente, que ser as mais cristalinas possíveis. O contrato a respeito não pode ser uma Caixa Preta.

 

Impõe-se, ao contrário, que o seu conteúdo integral seja entregue formalmente ao Conselho Deliberativo como, aliás, prevê o artigo 140 do Estatuto, e mais do que isso, como se espera de uma administração que não tenha qualquer receio de revelar seus atos e espera que os  mesmos sejam ratificados por este egrégio orgão, por sinal, soberano na agremiação.

Não nos esqueçamos que atual administração vive os últimos meses de seu mandato e repassará,

necessariamente direitos e deveres sobre o estádio para uma nova diretoria. Este seria ainda mais

um motivo para que não pairassem dúvidas sobre o que está contratado.

Este Conselho Deliberativo, senhor presidente, dará, sim, total amparo às arguições de seus membros

a respeito de tão relevante tema. E espera sinceramente, que o senhor aceite, democraticamente, as colocações dos

conselheiros que querem apenas ficar a par das tratativas já feitas e por serem concretizadas.

Afinal, é do seu próprio interesse que tudo seja esclarecido e tornado de conhecimento geral.

Como corinthiano bem mais antigo que o senhor, presidente, até mesmo por uma questão de idade, experiente por ter exercido duas presidências do Conselho Deliberarivo, posso lhe assegurar que não reaja de maneira  intimidativa àqueles que querem apenas tomar conhecimento dos assuntos relativos ao evento.

Pessoalmente, levo a sua reflexão a máxima de Santo Agostinho, válida para todos nós dirigentes:

Prefiro aqueles que me criticam, porque me corrigem. Do aqueles que me adulam, porque me corrompem. 

Carlos Senger

Conselho Deliberativo

Presidente

 

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