Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians
Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Conselho do Corinthians reprova balanço de 2019 e isso pode comprometer Profut

Déficit de R$ 195 milhões terá de ser explicado pelo ex-presidente Andrés Sanchez e clube terá de detalhar contas para se manter no programa de responsabilidade fiscal do governo

Redação, Estadão Conteúdo

28 de abril de 2021 | 09h30

Após idas e vindas, adiamentos e remarcações por causa da pandemia do novo coronavírus, o Corinthians conseguiu reunir os membros do seu Conselho Deliberativo para votar as contas pendentes do clube nos últimos anos. Foram votados na noite de terça-feira os balanços dos exercícios de 2019 e 2020, além do orçamento para 2021. Todo o processo, como já divulgado anteriormente devido à situação sanitária, foi feito virtualmente. Os conselheiros participaram de três votações. Primeiro, eles rejeitaram as contas de 2019 por apenas dois votos: 132 a 130.

Nele, o déficit foi corrigido de R$ 177 milhões para R$ 195,4 milhões, após dívidas não computadas na primeira versão do documento. A revelação do erro do Departamento Financeiro teve efeito cascata, com reprovações do Cori (Conselho de Orientação), Conselho Fiscal e agora do Conselho Deliberativo. A recusa das contas vai obrigar o então presidente Andrés Sanchez a dar novas explicações e forçar o clube a rever sua política no Profut, o Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro.

O programa foi  criado em 2015 no governo Dilma Rousseff. Ele permite o parcelamento de impostos da União em até 20 anos com redução de 70% das multas, 40% dos juros e 100% dos encargos. Ocorre que o Profut prevê que o clube participante do programa não pode ter déficit anula maior de 5% da receita bruta do ano. No caso do Corinthans, esse valor representa 41% da receita de 2019. 

Na mesma noite, mais tarde, o balanço de 2020 foi aprovado, também com votação apertada: 130 a 124. Alguns conselheiros, portanto, deixaram de votar. Por fim, o orçamento de 2021 foi aprovado pela maioria: 205 votos favoráveis e apenas 28 contrários, com duas abstenções.

Tanto a Camisa 12 quanto a Gaviões da Fiel, as duas maiores torcidas organizadas do clube, além de chapas de oposição, fizeram campanha pela reprovação dessas contas. Fora do cargo desde dezembro, Andrés falou com os conselheiros antes da primeira votação. O ex-presidente teria admitido erros na gestão, mas nega dolo nos problemas financeiros do Corinthians. Atual mandatário, Duílio Monteiro Alves também conversou com os votantes antes da segunda votação.

Mais cedo, o clube divulgou o balancete do primeiro bimestre deste ano, em que houve um superávit de R$ 1 milhão devido a alguns cortes de gastos no departamento de futebol. Além disso, a dívida acumulada teve pequena queda de R$ 6,6 milhões em relação ao fim do ano passado. O valor, de R$ 950 milhões, sem contar a Neo Química Arena, ainda está próximo de R$ 1 bilhão e preocupa seus dirigentes e torcedores.

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