Hélvio Romero/ Estadao
Hélvio Romero/ Estadao

Consórcio assume Pacaembu com desafio de tirar o estádio do vermelho

Novos administradores esperam faturamento de R$ 20 milhões já neste ano; Pacaembu deu prejuízo em 2017 e 2018

João Prata, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2020 | 07h00

O consórcio Allegra Pacaembu inicia a gestão no estádio neste sábado, em meio à decisão da Copa São Paulo de Futebol Junior, que terá o clássico entre Grêmio e Internacional. A nova administração terá como objetivo principal tirar o estádio do vermelho. O presidente da concessionária, Eduardo Barella, disse em entrevista ao Estado que espera faturar R$ 20 milhões com o Pacaembu somente nesta temporada.

Nos últimos anos, o estádio do Pacaembu deu prejuízo. Em 2017, arrecadou R$ 2,4 milhões e teve gastos de R$ 8,3 milhões, de acordo com números oficiais. Em 2018, foram arrecadados R$ 2,7 milhões com gastos de R$ 9 milhões. Os números finais de 2019 ainda não estão disponíveis.

Para mudar esse cenário, a nova gestão aposta na melhoria dos serviços de alimentação e de bebidas, na criação de um setor VIP no lugar em que ficam as cadeiras cobertas e na produção de pequenos eventos fora dos dias de jogos. Barella adiantou que o Pacaembu não receberá grandes shows. "Não está no nosso plano de negócio. Já há outra arena no município que cuida desse segmento e não iremos concorrer com ela", comentou.

A expectativa é receber 20 partidas de futebol ao longo da temporada. Além dos quatro grandes do Estado, São Paulo, Santos, Palmeiras e Corinthians, a concessionária tentará trazer também equipes de outras regiões do País. "São Paulo tem torcedores de times de diversos lugares e seria a oportunidade de aproximá-los das equipes." Há dois anos, houve um Fla-Flu no Pacaembu, com ótimo público.

O valor do aluguel agora será fixado e custará em torno de R$ 80 mil por jogo - na gestão municipal, o pagamento variava de acordo com a renda, com um teto de cerca de R$ 100 mil e um valor mínimo de R$ 35 mil .

As lanchonetes serão terceirizadas para as redes Bob’s e Patroni Pizza. As cadeiras azuis serão administradas pelo Cinemark Prime. Quando não houver jogos, a concessionária pretende realizar eventos como festas infantis, aluguel para empresas para lançamentos de produtos, tour do estádio, entre outras ações.

O estádio deve ser fechado em dezembro, após o término do Campeonato Brasileiro, para o início das obras de modernização. A principal mudança será a derrubada do tobogã para a construção de um centro comercial. O previsão é que fique fechado durante 28 meses e a reinauguração aconteça nos primeiros quatro meses de 2023. A demolição já foi autorizada pelos órgãos competentes. Para o cronograma ser obedecido, a concessionária terá de obter sinal verde sobre o projeto final das obras que envolvem patrimônios históricos de São Paulo. Análises estão sendo feitas nesse sentido.

O Pacaembu é tombado, c a demolição do Tobogã já foi autorizada previamente pelos órgãos responsáveis pelo patrimônio histórico da cidade. A Associação Viva Pacaembu tenta impedir a obra e move duas ações na Justiça contra a Allegra. Numa delas, quer barrar a demolição do setor. Outra visa cancelar a licitação que deu aval para a Allegra administrar o local por 35 anos.

"O então consórcio que venceu tinha como presidente uma pessoa que era membro do Conselho da SP Trans. O edital não permitia ligação com a Prefeitura", defende Sergio Livovschi, advogado da Viva Pacaembu.

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