Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Construtora frustra plano de vender arena ao Palmeiras

Para a WTorre, operação seria muito complicada e apesar do interesse do clube, ainda não houve conversas

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

24 de novembro de 2016 | 07h00

O desejo que Paulo Nobre, presidente do Palmeiras, revelou no início do mês de comprar o Allianz Parque esbarra no posicionamento da construtora WTorre. "Acho muito difícil vender 100% da operação, para não dizer impossível", afirma Rogério Dezembro, CEO da construtora, ao Estado

O executivo acrescenta que não houve proposta do Palmeiras. "Não podemos comentar o que não existe. Não houve nada concreto", afirma. No momento, o interesse principal da construtora é encontrar um parceiro, um fundo de investimento ou empresa do ramo de esportes e entretenimento, para acelerar o amadurecimento do negócio. 

Dezembro afirma que a venda não teria "lógica econômica" para o Palmeiras. A construtora detém os direitos de exploração do estádio até 2044, e o clube aumenta sua participação nos lucros da arena progressivamente até se tornar dono do estádio no final de 30 anos. O total da bilheteria dos jogos é destinado ao Palmeiras. "Para o clube, não seria um bom negócio (comprar a arena). Por qual motivo ele iria mobilizar capital para comprar um negócio que ele já tem?"

Especialistas em marketing esportivo afirmam que uma operação de compra seria complexa, principalmente pela dificuldade de definição do valor do estádio e pelo acordo de concessão por 30 anos. Outro complicador é o aumento do endividamento do Palmeiras com Paulo Nobre.

Em dois anos de funcionamento, o Allianz Parque se consolidou como uma arena multiúso, com a realização de shows e os jogos do Palmeiras. Já foram 2,8 milhões de espectadores. Nas 18 partidas que fez em casa, a imensa maioria no Allianz Parque, o Palmeiras arrecadou quase R$ 38 milhões de renda bruta – o segundo colocado, o Corinthians, tem R$ 28 milhões. A taxa de ocupação é 75% com média de público de 31.545. O clube que mais se aproxima desse índice também é o rival Corinthians, com 66%. 

A empresa conseguiu vender os naming rights do estádio, que ajudou a resgatar a autoestima do palmeirense. Depois de lutar contra o rebaixamento em 2014, na abertura da arena, o time está perto de conquistar o Campeonato Brasileiro, segundo título consecutivo em dois anos. Por causa desses feitos, seis clubes já consultaram a construtora interessados em adotar o mesmo modelo. 

A relação com o Palmeiras, no entanto, tornou-se difícil e, por isso, Nobre cogitou a compra. Entre os atritos estão o direito de venda dos assentos e o estado do gramado após os shows./COLABOROU CIRO CAMPOS

 

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