Contas de Careca serão investigadas

A juíza federal Ivani Ferreira Giuliani, da 5ª Vara Trabalhista de Campinas, determinou na tarde de terça-feira abertura de inquérito para investigar as contas da empresa Careca Esporte Center, de propriedade do ex-jogador Antonio Oliveira Filho, revelado pelo Guarani e com passagens pelo São Paulo, Napoli e seleção brasileira. A juíza oficiou o Ministério Público para que atue em conjunto com a Polícia Federal e dessa forma apure possíveis crimes fiscais. Em entrevista à Agência Estado, nesta quarta-feira, Careca garantiu não ter sido notificado da decisão da juíza. "Até esse momento não estou sabendo de nada, mas se vão me investigar terão que provar. Estou tranqüilíssimo", garantiu. O advogado do ex-jogador, Roberto Persinotti Jr, ficou furioso com a decisão e prometeu entrar com um mandado de segurança em breve. "Tecnicamente ela não tem competência para fazer isso, não existe nenhuma irregularidade com o Careca e sim contradições no processo", rebateu. A suspeita sobre irregularidades na Careca Esporte Center vem desde o início de 1998, quando o ex-jogador tornou-se empresário, e a partir de então teria sonegado impostos e movimentado a contabilidade da empresa irregularmente, após denúncia do ex-funcionário, Francisco de Assis Santa Anna de Faria. "O Careca me obrigou a abrir uma conta e todo o dinheiro dele era movimentado nela, sem que eu soubesse de nada", afirmou. Faria entrou com o processo trabalhista de número 910/2001-6, que tramita na Justiça de Campinas. Segundo o advogado de Faria, Rizzo Coelho de Almeida Filho, a justiça constatou que Careca pagava salários sem o recolhimento das obrigações fiscais. "Daí a suspeita de sonegação", disse. CPI - O ex-jogador esteve envolvido na falsificação de passaportes do zagueiro Dedé, do Primavera de Indaiatuba, e do atacante Jeda, do União São João, ambos transferidos para o futebol italiano. O deputado Jurandil Juarez (PMDB-AP), sub-relator de Passaportes Falsos, na CPI da CBF/Nike, disse que "não havia dúvidas da participação dos ex-jogadores Careca e Edmar", ao lado do presidente do clube de Araras, José Mário Pavan, "na emissão do passaporte falso usado pelos jogadores". Para Juarez, "não pairavam dúvidas de que Jeda e Dedé portavam passaportes falsos fornecidos pelo esquema montado por Careca, Edmar e Pavan." No entanto, o jogador não foi indiciado no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito.

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