Jamil Chade/Estadão
Jamil Chade/Estadão

Conter a ansiedade, o maior desafio de Felipão até 12 de junho

Técnico da seleção brasileira também afirma que o time não é dependente de Neymar

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

12 de maio de 2014 | 12h43

NYON - Luiz Felipe Scolari tem um desafio nos próximos 30 dias até a Copa do Mundo: conter a ansiedade de sua seleção. Em entrevista ao Estado e a um outro jornal brasileiro durante sua passagem pela Suíça nesta segunda, Felipão deixou claro que esse será um dos grandes adversários dos jogadores e do grupo até o dia 12 de junho. O treinador também aponta como tem acompanhado a situação de Neymar, seu principal jogador. Mas alerta que o Brasil não é apenas o craque do Barcelona. "Todos precisam chegar em condições", disse.

Eis os principais trechos da entrevista, concedido na sede de uma empresa de relógios que patrocina a Copa e que, nesta segunda, lançou um modelo em homenagem ao treinador brasileiro.

Qual o maior desafio, faltando um mês para a Copa?

FELIPÃO - É conter essa ansiedade de todos no Brasil. Todos já estão preocupados, nos dias que faltam, disso ou daquilo. É só isso. Calma e tranquilidade. Os jogadores vão chegar e tomara que cheguem todos em condições. Vamos trabalhar normalmente. É só essa ansiedade que todos estão tendo antes de começar o campeonato mundial.

É hora de isolar os jogadores um pouco mais da pressão?

FELIPÃO - Eles vão estar isolados. Na Granja Comary eles vão estar isolados, vão fazer o trabalho normal. Mas isolar dos dias de jogos, do inicio da Copa, não quer dizer nada.

O senhor tem falado com o Neymar?

FELIPÃO - Tenho, tenho falado com o Neymar com certa frequência. Daqui mais uns dias, dependendo, ele vai estar em condições de jogar. Vamos ver quando ele se apresentar quais são suas condições e dos outros. Porque não é só o Neymar. O Brasil tem 23 convocados. Todos devem se apresentar em condições. Tomara que não aconteça nada com ninguém. Quando eu falo não aconteça, é lesão, claro. Vamos ver.

Quando o senhor compara a experiência com a da Copa de 2002, é a mesma ansiedade ou se sente mais confiante agora que tem mais experiência?

FELIPÃO - Sinto-me muito confiante, porque aquela Copa que vivi foi minha primeira Copa. Nossa equipe não tinha tudo tão planejado quanto agora. Não tínhamos uma equipe com padrão de jogo definido, que nós fomos definir só quase no último jogo amistoso. Agora não. Definimos o padrão de jogo antes da Copa das Confederações, depois colocamos em prática e, durante a Copa das Confederações, seguimos mantendo o padrão nos amistosos, independentemente de que quem era o adversário. Por isso estou mais tranquilo.

Que lições de 2002 o senhor traz para 2014?

FELIPÃO - O que foi feito em 2002 foi excelente. Nós tivemos um ambiente muito bom e acho que esse ambiente recriamos novamente com esse grupo, embora seja um grupo mais novo. E se der para fazer tudo aquilo que foi feito como equipe, e não apenas dentro de campo, mas também fora de campo, então acho que faria tudo novamente, porque seria ótimo.

O primeiro jogo naquela Copa (contra Turquia) foi também difícil, não?

FELIPÃO - Como será o jogo contra a Croácia. Pode acreditar.

Mesmo em São Paulo?

FELIPÃO - Mesmo em São Paulo ou em qualquer lugar do mundo. O jogo contra a Croácia é sempre difícil pela qualidade. Tem boa qualidade. E depois tem o jogo que é o primeiro, que é a ansiedade de todo mundo, dos jogadores, da torcida e da imprensa para ver como a equipe joga.

O maior adversário é a Croácia ou a ansiedade?

FELIPÃO - É a ansiedade e a Croácia.

O que a Croácia tem de especial?

FELIPÃO - Qualidade. Trabalha muito bem a bola. Bom posicionamento. De trás para frente, tem uma boa equipe.

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