Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Contestado, Fernando Garcia fala da 'paixão lucrativa' pelo Corinthians

Empresário tem 13 jogadores no clube, oito no time de Fábio Carille, já foi conselheiro e rebate quem o acusa de participação em ‘esquemas'

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2018 | 07h01

Um dos corintianos mais comentados no clube, Fernando Garcia é um empresário e agente de jogador que causa reação das mais diversas no Corinthians. Ele carrega a fama de ter muito poder nos bastidores do Parque São Jorge, independentemente da diretoria que administra o clube, atualmente nas mãos do presidente Andrés Sanchez. Garcia tem 13 jogadores empregados no futebol corintiano, oito no elenco de Fábio Carille. As últimas três contratações do clube tiveram participação direta dele. Em entrevista ao Estado,  em seu escritório, o agente comenta abertamente de sua relação com o Corinthians, lembra os prejuízos que teve por investir demais em quem não teve retorno no futebol e faz algumas revelações sobre seu jeito de trabalhar. 

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"Minha relação com o Corinthians não é caso de filantropia. É caso de amor, mas também de negócio. Quem não quer ter jogador no Corinthians? Mas é tudo um negócio", afirma sem rodeio o empresário, corintiano fanático e que decidiu deixar o cargo de conselheiro do clube para evitar reclamações de possível conflito de interesse dentro do futebol. 

Neste momento, Fernando Garcia tem porcentagem nos contratos de trabalho dos seguintes jogadores: Walter, Caíque França, Vilson, Renê Júnior, Maycon, Thiaguinho e Bruno Xavier dentre os atletas que estão no time principal, além do recém-chegado atacante Roger. Em relação a Roger, no entanto, Garcia afirma que só participou da negociação. 

Gustavo Mosquito, do Coritiba, é outro atacante que está chegando ao Corinthians pelas mãos do agente. Da base, Garcia garante ter apenas o zagueiro Franklin e o atacante Rafael Mascarenhas. "E ainda falam que eu mando na base e que tenho todo mundo no clube", ironiza. A lista ainda é completada com Carlinhos, Guilherme Romão, Lucca e Marciel, que estão emprestados para outros times, mas pertencem ao Corinthians contratualmente. 

Filho de Damião Garcia, proprietário da empresa de papelaria, material escolar e informática Kalunga, que patrocinou o Corinthians durante as décadas de 1980 e 90, Fernando é criticado entre os torcedores mais próximos, mas respeitado no clube justamente por seu passado como conselheiro e a relação de seu pai com o Corinthians.

Uma das negociações mais polêmicas do ano feita no Corinthians foi a do volante Renê Júnior. Ele estava sem clube, após defender o Bahia, e foi contratado após o time paulista fechar um acordo de R$ 4,2 milhões com o agente. Fernando Garcia nega que esse valor tenha sido embolsado por ele. "Esse valor se refere a luva, comissão e direitos de imagem do próprio jogador. Se ele sair antes de acabar o contrato, o Corinthians vai gastar menos do que isso", explica.

O agente mais influente do Corinthians dá de ombros para as críticas sobre sua interferência e facilidades no Parque São Jorge. "Se me acusarem de alguma coisa, a gente processa. Criticar, as pessoas criticam por não saberem da realidade", minimiza. Ele defende fazer seu trabalho da forma mais justa e honesta possível.

Fernando Garcia fez recentemente uma parceria com o Nacional-SP, da Rua Comendador Souza, na Água Branca, e desse acordo conseguiu levar o meia Thiaguinho e o atacante Bruno Xavier para o Corinthians. Ambos não custaram nada para o time alvinegro, mas o agente ganhará se, em maio do ano que vem, quando acabar o contrato de empréstimo, eles forem contratados. Ou seja, se passarem no teste. 

O empresário revela que a contratação dos garotos partiu do próprio técnico Fábio Carille. "O Carille foi em uma segunda-feira de carnaval assistir ao jogo desses meninos. E os caras ainda vêm falar em esquema. Ele aprovou e escolheu os jogadores", assegura. Ele ainda afirmou que precisou pagar R$ 250 mil para o Juventus e R$ 180 mil para a Portuguesa, ambos com partes do contrato dos garotos. 

Empréstimos

O empresário afirma ao Estado que também já emprestou dinheiro para o Corinthians em diversas oportunidades. Em uma delas, emprestou R$ 3 milhões para o ex-presidente Mário Gobbi a fim de ele pagar pela compra do atacante Alexandre Pato. Mas conta que foi surpreendido quando decidiu cobrar a dívida do cartola. 

"Quando ele estava deixando a presidência, fui cobrar o dinheiro e ele me disse que eu havia emprestado o dinheiro para o Corinthians e não para ele. Só consegui receber quando vendemos o Malcom (em 2016)", diz, usando a terceira pessoa do plura (nós). 

Mas nem todo negócio de Fernando Garcia dá certo no Corinthians. Ele diz que o meia Marlone foi o jogador que mais lhe deu prejuízo. "Pagamos 3 milhões de euros por ele, vendemos para o Cruzeiro, que não nos pagou e tivemos de pegá-lo de volta. No ano passado, recebemos uma proposta do Atlético-MG que ia salvar o nosso dinheiro, mas o Corinthians recusou", lamenta. 

O presidente Andrés Sanchez garante não ver qualquer problema na relação de Fernando com o clube e minimiza o fato de ele ser representante de vários atletas no clube. Em nota, ele responde ao Estado. "O Sport Club Corinthians Paulista informa que possui atualmente mais de 200 atletas de futebol com algum tipo de contrato e cada um deles possui seu respectivo empresário. O clube escolhe cada um de seus atletas em função de sua qualidade técnica independentemente do empresário que o representa", informa o dirigente, através de declaração oficial.

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