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Osasco Audax aposta no projeto de longo prazo e colhe resultados em 2016 JF Diorio|Estadão

Continuidade faz Osasco Audax chegar longe no Estadual

Manutenção de projeto traçado em 2014 conduz boa campanha

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

19 de abril de 2016 | 07h00

Em 2014 o recém-promovido Audax levou de 4 a 0 do São Paulo no Morumbi pelo Campeonato Paulista. No ano seguinte, o placar se repetiu, até tudo se inverter no último domingo. Em Osasco, a equipe da casa aplicou sobre o algoz a goleada por 4 a 1 e chegou à semifinal do Estadual. O que mudou nesse tempo? Quase nada. Presidente, técnico e parte do elenco são os mesmos do primeiro jogo.

Da estreia na elite até agora, o momento de ápice do clube, permanecem o presidente, Vampeta, o técnico, Fernando Diniz. E pelo menos um terço dos jogadores já disputa o Estadual pelo time pela segunda vez e sabe de cor a cartilha de jogo da equipe.

Os dois personagens mais conhecidos nesta campanha histórica jogaram juntos no Corinthians e fogem do estilo padrão de suas funções. O treinador gosta de ajeitar o time na base da conversa e da psicologia. E o presidente, não se reconhece como tal.

"Sou amigo do dono, não sou dirigente de futebol. O que mudou dos meus tempos de jogador é que assino documentos, contratos e tal. Sou um presidente remunerado, é diferente", explicou Vampeta.

A forma de comando do clube foge dos padrões tradicionais. A mesma gestão cuida também de outras duas equipes de Osasco e mais uma do Rio, resultado da compra em 2013 do antigo Audax, que havia conquistado o acesso à elite meses antes.

A aquisição custou aproximadamente R$ 30 milhões. O atual mantenedor é o empresário Mário Teixeira, que escolheu o ex-jogador Vampeta para presidir o clube. Ídolo do Corinthians encerrou a carreira no Grêmio Osasco, um dos quatro times geridos pelo grupo. 

Mesmo como dirigente, Vampeta conserva características dos tempos de jogador. Ainda é irreverente nas entrevistas e provocou o São Paulo antes das quartas de final. Ele gosta de conversar com o elenco no vestiário, mas adota um estilo mais simples no cotidiano.

LIBERDADE

O agora presidente de clube, evita formalidades como roupas sociais e de repetir no papel atual atitudes que não gostava quando era jogador. Vampeta prefere dar liberdade ao elenco e não se intrometer nos trabalhos diários.

Nem mesmo nos jogos o ex-jogador tem presença garantida. Contratado por uma emissora de rádio, Vampeta vai raramente aos treinos e partidas, porque geralmente no mesmo horário está no trabalho como comentarista em outro local. Mas depois, vê os vídeos de cada um dos jogos. 

Para manter o estilo sem chutões, com muita movimentação e intensa troca de passes, o Osasco Audax não investe tanto. A folha salarial do time é de R$ 350 mil, uma das menores do Estadual. O maior salário chega a R$ 20 mil, teto atingido com base em metas individuais de produtividade.

"Era um ano difícil, porque seis times cairiam no Estadual. O nosso sonho era primeiro permanecer na elite, para depois conquistar vaga na Série D", contou o diretor de futebol do clube, Nei Ferreira. Os dois objetivos estão cumpridos.

O elenco ganhou folga nesta segunda-feira e, a partir desta terça, passa a semana em Sorocaba. O local foi escolhido por ter trazido sorte em em ocasiões anteriores. "Estava confiante. Já reservei o hotel mesmo antes das quartas de final", disse o diretor.

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'Temos a mesma base no Audax há cinco anos', diz Vampeta

Presidente afirma estar surpreso com a boa campanha no Estadual

Entrevista com

Vampeta

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

19 de abril de 2016 | 07h00

O presidente do Osasco Audax, Vampeta, celebra em 2016 os resultados de um projeto iniciado em 2013. O ex-volante prefere não ser visto como dirigente, ainda carrega o estilo de jogador e admite em entrevista exclusiva ao Estado que a campanha histórica de semifinalista era algo impensável antes do começo do Campeonato Paulista.

O time mudou muito de 2014 para cá?

Já temos uma filosofia de jogo desde a base. O interessante é que no profissional, de 2014 para agora, de 60 a 70% do elenco é o mesmo. Alguns jogadores saem no segundo semestre, jogam o Brasileiro em outros times e voltam. Temos uma base que joga junta há uns cinco anos.

Como é o seu relacionamento com o times?

Eu sou um grande torcedor da carreira deles. Eles chegaram até uma semifinal, fico feliz demais pelo nosso projeto. No meu caso, já ganhei de tudo, fui até lá cima.

Do elenco atual, quantos vieram das categorias de base?

Dos 28 inscritos no Paulista, temos uns cinco revelados no próprio clube. É uma quantidade boa para um time pequeno.

A vaga na semifinal era esperada?

Quando começa o Campeonato Paulista, ainda mais neste ano, que caíram seis, você monta um time principalmente para não cair. Quando começa a competição, vai tendo os jogos, as coisas mudam. Saímos da zona de incômodo, depois estávamos disputando a classificação, ganhamos do Palmeiras e depois, conseguimos vencer o São Paulo. Tudo aquilo que foi montado no começo, vai mudando.

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