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Contos - de fada e do vigário

Corinthians encanta e lidera. O São Paulo, em desencanto, perde o rumo no Brasileiro

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

24 Agosto 2015 | 03h00

Os jogos de Corinthians e São Paulo, na tarde de ontem, na abertura do returno, remeteram à palavra “conto”, com conotações distintas. A turma alvinegra vive um conto de fadas, com a liderança a todo vapor e exibição impecável diante do Cruzeiro. O pessoal tricolor é vítima de conto do vigário, com derrotas seguidas, como no clássico com o Fla, e praticamente fica fora da briga pelo título.

O Corinthians virou o turno sem consenso, pois alcançou a ponta sem sequência de grandes apresentações, tampouco estilo encantador. Valeu-se, como nos episódios de conquistas épicas, sob o comando do próprio Tite, da regularidade e da eficiência. Enfim, fez resultados sob medida, noves fora polêmicas com arbitragem, utilizadas mais para desviar atenção da inconstância dos concorrentes do que para comprovar má-fé e esquema nebulosos. Delírios.

O Corinthians que se apresentou para Itaquerão lotado comportou-se como quem dá as cartas e joga para chegar à sexta taça da Série A. Não permitiu ao Cruzeiro esboçar reação, a não ser em lances esporádicos de Leandro Damião. E mais nada. Do início ao fim, teve a partida sob controle, soube o que buscava e de que forma. Liquidou a tarefa no primeiro tempo, com gols de Vagner Love, o contestado (e com razão, até então) e Jadson.

No segundo, manteve a toada e aumentou a diferença para os 3 a 0 finais, outra vez com Love, o centroavante que esquentava banco por causa de má fase e pelos gols de Luciano. Atuação madura, segura, sem sustos, sustentada por um quarteto, formado por Elias, Jadson, Renato Augusto, Malcom, que segurou a onda para a defesa e engrossou o ataque, quando necessário. E, o mais importante, sem lances duvidosos.

O Cruzeiro não passa de caricatura do bicampeão (com méritos) das temporadas 2013 e 2014. Desconjuntado, destroçado, perdeu-se, foi dócil e conformado. Fora o Vasco, caso à parte, virou a grande decepção do Brasileiro e prova de que não se desmonta impunemente um elenco vencedor nem se dispensa à toa o técnico daquelas campanhas. Está um ponto à frente do bloco dos ameaçados pelo rebaixamento.

FIASCO NO RIO

A propósito de falta de rumo, os adjetivos para o Cruzeiro se ajustam ao São Paulo – que ainda pede mais alguns. A equipe de Juan Carlos Osorio está atarantada, assustada, hesitante, intimidada. Correu feito barata tonta em grande parte do jogo com o Flamengo, desviou-se do caminho de vitórias, não sabe o que fazer.

A sensação é de conto do vigário de todas as partes – técnico, jogadores e dirigentes. Osorio iludiu-se com a ladainha dos cartolas que foram procurá-lo, a lhe garantir que o grupo sofreria poucas baixas. O treinador apresentou-se com perfil de quem poderia entregar muito, sobretudo pelas inquietude nos métodos de preparação e escalação. E há atletas no elenco com mais nome do que bola na atualidade. Engodo geral, em que todos têm motivos para se queixar e ninguém tem razão.

A proposta contra o Flamengo era a de impor-se. Para tanto, Osorio recorreu outra vez aos três zagueiros, aos cinco no meio e dois na frente. Deu certo até o gol de Luiz Eduardo, para desmoronar em seguida, como em outras ocasiões. Com direito a tomar dois gols com colaboração decisiva de gente da casa – Thiago Mendes e Auro, que deram passes para Ederson e Guerrero. Dali em diante foi um festival de bolas rifadas, de boi-bumbá e de nova frustração tricolor.

VERDE DESBOTADO

A trajetória do Palmeiras não parece muito diversa daquela do São Paulo. Depois de boa fase com a chegada de Marcelo Oliveira, desandou o molho, perdeu quatro dos últimos cinco jogos e, com 31 pontos, também mostra vocação para assumir papel secundário até o encerramento da temporada. No máximo, quem sabe?, vaga na Libertadores. 

A derrota para o Atlético, em BH, mostrou equipe instável, que saiu em vantagem, recuou, levou sufoco e só acordou quando não dava mais. 

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