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Contra Argentina sem Messi, Brasil reencontra único algoz de Tite antes da Copa

Em 9 de junho do ano passado, em Melbourne, na Austrália, os argentinos venceram os brasileiros por 1 a 0

Rafael Franco e Vinícius Saponara, O Estado de S.Paulo

16 Outubro 2018 | 05h00

Embora tenha fracassado junto com a seleção brasileira na Copa do Mundo da Rússia, Tite ostenta um ótimo retrospecto à frente da equipe nacional. Em 29 partidas no comando desde quando assumiu o cargo, em junho 2016, o técnico contabilizou 23 vitórias, quatro empates e apenas duas derrotas. E o único revés sofrido pelo Brasil com o treinador antes do Mundial ocorreu diante da Argentina, tradicional rival que irá reencontrar em amistoso nesta terça-feira, às 15 horas (de Brasília), no estádio The King Abdullah Sports City, em Jeddah, na Arábia Saudita.

Em 9 de junho do ano passado, em Melbourne, na Austrália, os argentinos venceram os brasileiros por 1 a 0 e impuseram a primeira derrota de Tite após uma incrível sequência de nove triunfos em nove partidas no início da jornada do comandante na seleção. Naquela ocasião, o amistoso serviu como preparação para os próximos desafios nas Eliminatórias Sul-Americanas da Copa e marcou a estreia de Jorge Sampaoli como treinador da Argentina.

Naquele duelo o time entrou em campo com o poderoso quarteto ofensivo formado por Messi, Dybala, Di Marín e Higuaín, mas quem acabou fazendo o gol do triunfo sobre os brasileiros foi o lateral Mercado. Grande craque da equipe argentina, Messi não estará presente neste reencontro dos dois velhos rivais, pois, após cair junto com a equipe nacional nas oitavas de final da última Copa, o astro do Barcelona resolveu se afastar por um tempo da seleção e pediu para não ser convocado até o final do ano.

Curiosamente, Neymar não atuou no amistoso contra os argentinos em 2017, quando Willian e Gabriel Jesus formaram a dupla ofensiva do Brasil e passaram em branco, assim como ocorreu com Douglas Costa e Taison, atacantes que entraram em campo no decorrer daquele duelo, acompanhado por um excelente público de 95.569 torcedores no estádio Cricket Ground. Agora os organizadores do amistoso em Jeddah confirmaram que mais de 62 mil ingressos já foram vendidos. 

Neymar lamentou a ausência de seu ex-companheiro de Barcelona no amistoso desta terça. Porém, o agora astro do Paris Saint-Germain reconheceu que é bom para a seleção brasileira o fato de a Argentina atuar desfalcada do seu principal jogador.

"Para quem é amante de futebol, ter Messi fora de um jogo como esse é ruim. Mas, para nós, é bom. Sempre ressaltamos a qualidade da Argentina, dos jogadores que existem na seleção argentina hoje. É um jogo muito difícil, temos que fazer nosso papel, nosso trabalho, e é sempre gostoso de jogar. Favoritismo não existe", analisou o atacante.

MISTÉRIO MANTIDO  

Tite, por sua vez, mostrou que está levando muito a sério a meta de "se vingar" da derrota sofrida no ano passado. Embora o confronto não seja por uma competição oficial, ele deixou claro, logo após a vitória por 2 a 0 sobre a Arábia Saudita, na última sexta-feira, que "contra a Argentina não existe amistoso". Tanto é que o comandante fechou os dois treinos táticos que comandou no domingo e agora nesta segunda, quando se recusou a confirmar a escalação titular para esta terça.

"Eu não me sinto muito confortável (em esconder o time) porque não é a minha praia, mas em algumas circunstâncias é importante. Não quero, se não tenho os atletas definidos, dar ao adversário a oportunidade de conhecer a escalação, até neste momento em que não temos esquema definido", despistou Tite, que também lamentou a ausência de Messi como adversário neste novo amistoso.

"A gente rivaliza com Argentina ou Alemanha porque eles também têm grande qualidade. Gostaríamos que fosse com ele (em campo), mas a ausência dele não vai tirar o brilho do jogo", enfatiza o treinador, que deverá promover até seis mudanças na equipe titular em relação à formação que atuou contra a Arábia Saudita.

O goleiro Ederson sairá para a volta do titular Alisson, assim como o lateral-direito Danilo e o zagueiro Miranda ocuparão os respectivos lugares que foram ocupados por Fabinho e Pablo contra os árabes. Outras duas mudanças prováveis são as entradas de Filipe Luís na lateral esquerda e de Roberto Firmino no ataque, o que deverá provocar as idas de Alex Sandro e Gabriel Jesus para o banco de reservas. Outro que deve aparecer como novidade é o volante Arthur, entrando no lugar de Fred.

Pela Argentina, que também não contará com nomes de peso como Agüero, Higuaín e Di María para o setor ofensivo, o técnico interino Lionel Scaloni escalará um time cheio de nomes da nova geração do futebol do país. E, diferentemente de Tite, o treinador deixou o mistério de lado e confirmou quase todos os 11 titulares que pegarão o Brasil. Só colocou em dúvida se entrará com Correa ou Martínez no ataque em um trio ofensivo com Icardi e Dybala.

E Scaloni admitiu que os brasileiros entrarão em campo em vantagem por contar com um técnico que já está há mais de dois anos no cargo, mas negou que veja favoritismo de qualquer uma das duas seleções. "É preciso sair e jogar a partida, fazer o melhor possível. Eles vêm mais rodados, com um treinador que já está lá há tempos. É um encontro entre duas grandes equipes, não acho que haja um favorito", afirma o treinador.

FICHA TÉCNICA:

BRASIL X ARGENTINA

BRASIL - Alisson; Danilo, Marquinhos, Miranda e Filipe Luís; Casemiro; Arthur (Fred), Renato Augusto, Philippe Coutinho e Neymar; Roberto Firmino. Técnico: Tite.

ARGENTINA - Romero; Saravia, Otamendi, Pezzella e Tagliafico; Paredes, Battaglia e Lo Celso; Dybala, Icardi e Correa (Martínez). Técnico: Lionel Scaloni.

ÁRBITRO - Felix Brych (ALE).

HORÁRIO - 15 horas (de Brasília).

LOCAL - Estádio The King Abdullah Sports City, em Jeddah (Arábia Saudita).

 

 

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