Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Contra Costa Rica, hora da seleção brasileira dar o bote na Copa

Após empate na estreia, Brasil tem obrigação de vencer nesta sexta-feira, às 9h, na Arena Zenit

Almir Leite, Leandro Silveira, enviados especiais / São Peterburgo, O Estado de S.Paulo

22 Junho 2018 | 00h00

Vencer. Mais do que alternativa, é obrigação para a seleção brasileira nesta sexta-feira, na partida contra a Costa Rica. Em seu segundo jogo pelo Grupo E da Copa do Mundo, a vitória é fundamental na caminhada para a classificação. Uma nova derrapada no confronto que começa às 9h (de Brasília) na Arena Zenit fará com que o risco de se despedir ainda na primeira fase do torneio aumente.

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Ninguém tem dúvidas de que a seleção brasileira é favorita. Mas, para transformar essa expectativa em vitória, o time precisará corrigir os defeitos apresentados na estreia. Diante da Suíça, o Brasil careceu de jogadas efetivas pelo lado direito, viu Paulinho com dificuldades em fazer o vaivém entre as duas áreas, teve em Neymar um jogador que pecou pelo excesso de individualismo e, em seu jogador mais agudo, Gabriel Jesus, um atacante pouco participativo.

Tite admitiu a necessidade de correções e disse que eles serão uma constante durante a Copa. “Alguns ajustes de posicionamento vamos continuar fazendo”, afirmou.

Apesar de reconhecer que, numa competição de “tiro curto” como a Copa, é importante encontrar soluções rápidas para as peças que não funcionem bem, ele prefere não ser tão imediatista. “Na seleção, tudo tem pressa maior na sua execução. Porém, antes da pressa, têm coerência, discernimento, confiança, análise.”

 

Um dos acertos está relacionado à lateral-direita. Fagner, que entra no lugar de Danilo – sentiu uma lesão muscular no quadril no treino de quinta-feira –, precisará ser mais ofensivo do que o então titular. Contra a Suíça, o receio de Danilo em avançar fez com que Willian ficasse isolado na frente por aquele lado do campo. Com isso, mais de uma vez, o jogador do Chelsea ficou sem opções de jogada e acabou também ele sendo presa fácil para a marcação.

Paulinho foi outro que ficou abaixo do que vinha apresentando nas Eliminatórias e da própria expectativa de Tite – tanto que acabou substituído por Renato Augusto no segundo tempo, em Rostov. O jogador desempenha função primordial no esquema montado pelo treinador, auxiliando a marcação no meio campo e aparecendo como elemento-surpresa na área adversária, quando o foco dos marcadores fica voltado ao quarteto ofensivo formado por Willian, Phillipe Coutinho, Neymar e Gabriel Jesus.

Sobre Neymar, Tite disse ontem que não vê problemas no excesso de individualismo. “Não vou tirar dele a iniciativa de transgressor, do último terço de campo, da genialidade”, considerou o técnico. “Todos nós temos que potencializar a equipe, mas respeitar as características. No último terço do campo, vai dentro, cria, finta. Lance pessoal é característica do futebol brasileiro, não vou retirar.”

Mesmo assim, é inegável que as melhores partidas da seleção desde que Tite assumiu, há dois anos, foram aquelas em que o jogador do PSG foi protagonista justamente por ser mais solidário. Ninguém discorda que Neymar pode decidir uma partida com um de seus lances geniais, mas, às vezes, o problema está no excesso de tentativas.

Na frente, Gabriel Jesus terá mais uma chance de mostrar que é o camisa 9 que a seleção precisa – algo que não conseguiu na estreia. O jogador, que se movimentou bem no amistoso com a Áustria e acabou marcando um gol no qual pôde demonstrar todo o seu oportunismo, ficou fincado entre os marcadores no domingo passado e foi burocrático nas poucas vezes em que voltou para buscar o jogo. Se falhar hoje, poderá perder espaço para Firmino.

ANSIEDADE

Outro aspecto que Tite diz estar superado é a ansiedade. O treinador aposta que o desequilíbrio visto no segundo tempo em Rostov não se repetirá, pois a pressão da estreia já não existe. “Aquele afã (da seleção), do seu próprio técnico, da estreia no Mundial, já passou”, disse. “Eu também estava na expectativa do primeiro jogo.” 

Por isso, além de “jogar bem e vencer”, obrigações admitidas por Thiago Silva – que assume a braçadeira de capitão na partida de hoje –, os jogadores precisam mostrar que o desequilíbrio da primeira partida foi ocasional. 

 Apoio da torcida não faltará. Em São Petersburgo, finalmente os brasileiros entraram no ritmo. Cerca de 400 torcedores foram ao hotel na noite de anteontem e criaram uma nova música de incentivo, que relembra as cinco conquistas e diz confiar no hexa. “O carinho do torcedor emociona, é algo muito forte e a gente fica contente”, agradeceu Tite. “Paralelamente a isso, porém, tem de manter o nível de concentração alto.” Mesmo porque, se a seleção tropeçar diante do adversário que é considerado o mais fraco do grupo, o apoio pode se transformar em críticas e cobranças. (COLABOROU MARCIO DOLZAN)

 

 

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