Juan Mabromata/AFP
Juan Mabromata/AFP

Contra Nigéria, destino da Argentina nas costas e nos pés de Messi

Craque pode se despedir da seleção da argentina em caso de eliminação da Copa do Mundo

Gonçalo Junior, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2018 | 05h00

Mais uma vez está nos ombros e nos pés de Messi a salvação da Argentina. Foi assim nas Eliminatórias da América do Sul no ano passado, quando o time se classificou no último jogo. Foi assim nos dois vice-campeonatos seguidos da Copa América. Foi assim na Copa de 2014, outro vice. Esta pode ser a última vez. O herói afirmou que sua aposentadoria dependeria da campanha da Argentina no Mundial da Rússia.

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No cenário mais simples, seu time precisa vencer a Nigéria, em São Petersburgo, nesta terça-feira, às 15 horas (de Brasília) e torcer contra a Islândia, que enfrenta a Croácia no mesmo horário. Se a Argentina empatar ou perder estará eliminada. Messi estará fora da Copa e pode pendurar a camisa 10. 

Existem outras combinações mais complicadas para a definição do Grupo D. Caso a Islândia vença a Croácia, a vaga poderá ser definida pelo número de gols, de cartões amarelos ou até mesmo em sorteio. A Croácia lidera o Grupo D com seis pontos e já garantiu vaga para a próxima fase da competição. 

Messi deu vários sinais de abatimento neste Mundial. Pessoas próximas ao craque afirmam que aquele pênalti perdido na estreia diante da Islândia ainda ecoa nos ouvidos do craque. Se tivesse feito aquele gol, tudo seria diferente. “Nosso objetivo principal é que seja o último jogo dele mesmo. Por mais que se goste dele jogando, é a nossa vontade fazer com que sua despedida seja aqui em São Petersburgo”, provocou o zagueiro nigeriano Brian Idowu. 

 

Após a derrota para a Croácia, quando o circo estava pegando fogo, Messi ficou calado. Na sexta-feira, os jogadores, liderados por Javier Mascherano, fizeram uma reunião para mostrar que estavam descontentes com o estilo do treinador. Eram duas queixas: evitar tantas mudanças na formação e fazer coisas mais simples.

Os jogadores também se queixaram da falta de convicção do comandante. Foi quase um motim, com o apoio mudo do camisa 10. O técnico Jorge Sampaoli esteve por um fio no cargo. 

A Federação Argentina decidiu manter o treinador, mas Messi não abriu a boca. No domingo, ao completar 31 anos, a mensagem da mulher Antonella Roccuzzo, publicada nas redes sociais, foi significativa por aquilo que ela não disse. Não dedicou um caracter para falar da seleção ou da Copa do Mundo. 

Messi não carrega neste Mundial o peso de seus próprios erros e de suas atuações apenas regulares. Ele carrega o drama de uma seleção que perdeu o rumo. Foram três técnicos desde a Copa no Brasil, com perfis muito diferentes: o pragmático Tata Martino, o retranqueiro Edgardo Bauza e o revolucionário Jorge Sampaoli. 

Escolha unânime após ter ensinado aos chilenos o significado da palavra “campeão”, o técnico atual está perdido. Ele não conseguiu definir uma equipe titular nem impor um padrão de jogo. Foram 59 jogadores convocados e nenhuma escalação repetida em 13 partidas. Só nesta Copa do Mundo, ele trocou três peças em dois jogos e mudou o esquema tático. “Estou convencido de que a partir de amanhã (hoje) muda a história para esta seleção. Tenho muitos argumentos para acreditar nisso”, prometeu, sem detalhar sua estratégia na entrevista coletiva de ontem, no local da partida. 

JEJUM

A fantástica geração que conquistou o ouro olímpico em Pequim-2008 não consegue superar o fardo de 25 anos sem títulos do país, desde a Copa América de 1993. Os três vice-campeonatos consecutivos aumentaram as cobranças sobre o próprio Messi, Di María, Agüero, Higuaín e Mascherano. Esses mesmos nomes não emprestam seus ombros para dividir a cruz de Lionel Messi. 

Di María esteve no banco na última partida por não ter jogado nada na estreia; Higuaín começou a Copa entre os reservas; Agüero ficou oito jogos sem marcar em Copas; Caballero entregou o ouro para a Croácia. Os atletas históricos, como dizem os argentinos, não fazem sua parte, mas Sampaoli indicou que vai contar com eles novamente na “decisão” desta terça-feira. 

Por outro lado, a renovação está difícil. A Argentina tem o segundo elenco mais velho da Copa, com média de 29,6 anos. Dybala (24), Pavón (22) e Lo Celso (22) estão crus. Messi joga por todos, novos e veteranos. Joga por 40 milhões de argentinos, joga por si mesmo e para que sua história não chegue ao fim.

 

 

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