Contra o Bonsucesso, Botafogo volta ao Engenhão

Estádio será reaberto neste sábado depois de quase dois anos de obras, mas o anel superior só será liberado no mês de abril

Marcio Dolzan; Ronald Lincoln Jr., O Estado de S. Paulo

07 de fevereiro de 2015 | 07h00

Durante os quase dois anos em que sua casa, o Engenhão, ficou interditada, o Botafogo alternou altos e baixos. Viu o time formado por Seedorf e cia ficar entre os quatro melhores do Brasileiro de 2013 e retornar à Libertadores após 18 anos fora. Mas em seguida, observou a equipe cair de produção até chegar ao rebaixamento, além da grave crise financeira contraída, que emperra os cofres do clube.

Neste sábado, o estádio reabre para a torcida no jogo com o Bonsucesso, válido pela terceira rodada do Campeonato Carioca. A direção espera que o reencontro marque novos e bons tempos. "Essa reabertura é mais um passo para resgatar a estima do torcedor botafoguense. É um passo para nossos torcedores reencontrarem os valores e a importância do clube", disse o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, em entrevista na sexta-feira.

O último jogo disputado no estádio, localizado no bairro do Engenho de Dentro, zona norte da cidade, aconteceu em 23 de março do ano passado, quando Flamengo e Boavista empataram em 0 a 0 pelo segundo turno do Campeonato Carioca. O Engenhão foi interditado pela prefeitura do Rio dois dias mais tarde, após resultado de laudo produzido por uma empresa alemã apontar problemas na cobertura.

Inicialmente, será liberado para vendas apenas 17.444 lugares, do anel inferior do estádio. A parte superior deve ser reaberta gradativamente a partir de abril. A direção do clube. Todos as bilheterias, bares, banheiros e estacionamentos estarão funcionando normalmente. "Gostaria de frisar que a abertura só será feita depois que recebemos todas as garantias de que o estádio estará seguro e confortável para o público", disse Pereira.

O goleiro Jefferson está exultante por voltar ao estádio, ele é um dos poucos jogadores do elenco que permanecem desde antes da interdição. "Estou muito feliz, é a nossa casa. Tenho certeza que quando os adversários pisarem no gramado vão se sentir pressionados."

Jefferson será homenageado pelo clube antes do jogo. Outro que será reverenciado é o ex-lateral do Botafogo e da seleção brasileira Nilton Santos. A direção vai adotar o nome do jogador, considerado um dos maiores ídolos do clube, para batizar o estádio, que oficialmente se chama João Havelange.

HISTÓRICO

Construído para os Jogos Pan-Americanos de 2007, o estádio custou aproximadamente R$ 360 milhões e teve um projeto inédito: os arcos dos setores leste e oeste eram os maiores já instalados sob uma estrutura de concreto no mundo - são 221,6 metros de uma ponta a outra. Além de estética, eles também têm uma função importante: a de suportar o peso da cobertura, transferindo toda a carga para os pilares localizados nas extremidades.

Mas estudos técnicos apontaram que os arcos de sustentação haviam tido um deslocamento lateral 50% superior ao previsto no projeto de execução. Cálculos de engenheiros alertaram para o perigo de queda da cobertura em caso de ventos com velocidade superior a 63km/h ou se exposta a baixas temperaturas - esta uma possibilidade menor de se registrar no Rio de Janeiro.

O Consórcio Engenhão - formado pelas construtoras Odebrecht e OAS - assumiu a reforma da cobertura, mas o custo do conserto, estimado em R$ 100 milhões, será repassado para o consórcio que construiu o estádio ou mesmo à prefeitura do Rio. Caberá à Justiça decidir.

Pelo menos outros R$ 52,3 milhões ainda serão gastos para obras de adequação do Engenhão à Olimpíada de 2016. A capacidade será aumentada em 15 mil lugares (passando dos 45 mil atuais para 60 mil) com a instalação de 7.500 assentos provisórios nos setores norte e sul. A pista de atletismo também será trocada.

Além disso, também estão previstas obras para implantação de rede de média tensão, instalação de novo sistema de som, infraestrutura para cabeamento de telecomunicações, aumento do número de câmeras de segurança, adaptação da rampa externa, aumento do número de projetores e melhorias na iluminação. A execução dessas obras deve acontecer a partir de março, mas, segundo a Rio Urbe, não impedirão o uso do estádio para jogos de futebol.

 

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