Mike Egerton / AP
Mike Egerton / AP

Contra racismo, lateral inglês pede para família não ir à Rússia acompanhar Copa

Lateral considera sanção de R$ 111 mil à União Russa de Futebol por racismo em amistoso como 'risível'

Estadão Conteúdo

06 Junho 2018 | 10h06

O lateral-esquerdo Danny Rose disse que pediu à família dele que não vá à Rússia assisti-lo representar a seleção da Inglaterra na Copa do Mundo, que começa no próximo dia 14, por causa do histórico de racismo no país-sede da competição. De pele negra, o jogador do Tottenham afirmou que não tem esperança de que as autoridades russas e a própria Fifa vão conseguir coibir com eficiência as ofensas raciais.

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"Não estou preocupado por mim. Mas falei para a minha família não ir à Rússia por causa do racismo e tudo mais que possa acontecer. Não quero me preocupar com a segurança dos meus parentes enquanto me preparo para um jogo. Qualquer coisa que aconteça comigo, nada será maior do que se minha família sofrer algum tipo de ataque", disse Rose em entrevista ao jornal inglês Evening Standard.

O lateral-esquerdo relatou a decepção do pai dele. "Ficou chateado, disse que talvez nunca mais possa me ver atuar em uma Copa do Mundo. Foi emocionante ouvir isso. É triste. De algum modo a Rússia conseguiu sediar esse Mundial e temos de lidar com isso", lamentou.

Por causa de ofensas racistas durante a vitória da França por 3 a 1 sobre a Rússia, em São Petersburgo, em março, a União Russa de Futebol foi multada em 22 mil libras (cerca de R$ 111 mil reais), sanção considerada "risível" por Rose.

"Multa de 22 mil libras é nojento. O que esperam com isso? Não quero soar arrogante, mas 22 mil libras não fariam diferença nem para mim. Não tenho fé no sistema de justiça, por isso não deixo nada me afetar", afirmou o jogador, alvo de cânticos racistas durante o Campeonato Europeu Sub-21 de 2012, sediado na Sérvia - na ocasião, a federação do país foi multada em 65 mil libras (aproximadamente R$ 327 mil).

Caso volte a ser alvo, Rose disse que tentará reagir com indiferença. "Estou tranquilo para qualquer coisa que possa acontecer comigo, gosto de pensar que vou agir da forma correta. Nós jogadores tivemos uma reunião. Disseram que devemos apoiar uns aos outros, questionaram o que deveríamos fazer se xingarem um dos nossos. Perguntei se a gente vai lá jogar futebol ou mudar o mundo. Eu estou anestesiado. Se eu sofrer injúria racial, eu sofri. Nada vai mudar. Não deveria ser assim, mas é", disse.

A Inglaterra vai estrear na Copa do Mundo contra a Tunísia, em 18 de junho, na Arena Volgogrado, pelo Grupo da competição, que também conta com Bélgica e Panamá.

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