Fabio Motta|Estadão
Fabio Motta|Estadão

Contra violência, Justiça determina que jogos do Carioca tenham torcida única

Decisão foi tomada depois da morte de um torcedor do Botafogo

Roberta Pennafort/RIO, O Estado de S. Paulo

17 Fevereiro 2017 | 17h59

A Justiça do Rio determinou nesta sexta-feira que os clássicos regionais só poderão ser assistidos pelos torcedores do time que for o mandante do campo, ou seja, fica vetada a presença da torcida do adversário. A decisão foi tomada depois da morte de um botafoguense antes de uma partida contra o Flamengo, no último domingo, no entorno do estádio do Engenhão.

"A necessidade de imposição de proibição de torcidas rivais é a única forma de garantir a proteção que o Estatuto do Torcedor confere em seu artigo 13", considerou o juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte, citando o trecho que diz que "o torcedor tem direito à segurança nos locais onde são realizados os eventos esportivos, antes, durante e após a realização de partidas." Ele fixou multa diária de R$ 30 mil em caso de descumprimento da decisão.

São citados o Flamengo, o Fluminense, o Botafogo, o Vasco, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Federação de Futebol do Estado do Rio (Ferj). O juiz pede "em caráter de urgência" a suspensão da comercialização de ingressos para a torcida adversária do clube que tem o mando de campo de jogo nos clássicos do Estado.

"Não obstante a instauração de diversos procedimentos e ações civis públicas para tratar das graves condutas envolvendo a crescente violência nos estádios de futebol e suas cercanias, com a participação de torcidas organizadas em brigas, rixas e homicídios, que culminaram com a assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta em junho de 2011, as referidas torcidas organizadas compromissárias mantêm-se recorrentes e contumazes na prática de atos de violência, depreendendo-se que as punições aplicadas até a presente data têm se mostrado ineficientes", diz a decisão.

O juiz ressalta ainda que o Brasil lidera o ranking de países com mortes relacionadas ao futebol, com, em média, dez mortes por ano, e menciona "a falência da segurança pública, associada à crise econômica sem precedentes, que tem levado às ruas manifestantes revoltados com a possibilidade de privação de seus salários, e que tem contribuído para o agravamento do clima de hostilidade". O juiz destaca ainda os protestos na porta de batalhões da PM, que desfalcaram o policiamento no dia do jogo entre Flamengo e Botafogo.

 

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