Albert Gea/Reuters
Albert Gea/Reuters

'Contratação de Neymar é totalmente legal', diz presidente do Barcelona

Josep Bartomeu afirma que a equipe catalã não deixou de declarar 9 milhões de euros em impostos

Agência Estado

21 de fevereiro de 2014 | 10h21

MADRI - Depois de o juiz Pablo Ruz ter aceitado a denúncia feita pelo Ministério Público da Espanha, fazendo com que o Barcelona seja indiciado por supostos crimes fiscais que teriam ocorrido entre 2011 e 2013, por conta dos contratos que envolvem a contratação de Neymar, o presidente do clube espanhol, Josep Bartomeu, afirmou nesta sexta-feira que a transação envolvendo o jogador e o Santos foi "totalmente legal".

A denúncia alega que o Barça teria deixado de pagar mais de 9 milhões de euros em impostos ao não declarar todos os contratos firmados com o astro brasileiro aos fiscais de renda da Espanha. No total, alguns compromissos tratados no acerto com o jogador, que chegariam a 37,9 milhões de euros, não teriam sido apresentados às autoridades espanholas, o que implicaria em uma suposta evasão fiscal do clube.

"Fizemos tudo de acordo com as disposições da lei e iremos a onde tenhamos que ir para explicar isso", afirmou Bartomeu, em entrevista para uma emissora de TV estatal da Espanha, na qual depois assegurou: "Nosso contrato com Neymar e o Santos é totalmente legal. As negociações, as transações, os contratos, tudo foi feito legalmente e faríamos tudo de todo da mesma maneira".

Apesar das alegações de Bartomeu, o fato é que ele só está na presidência da Barcelona porque Sandro Rosell renunciou ao cargo por estar sendo investigado pela Justiça por causa das suspeitas de irregularidades na contratação de Neymar. Pressionado pelas denúncias, o dirigente se viu obrigado a sair do posto.

As declarações de Bartomeu reiteraram o que o próprio Barcelona já havia manifestado de forma oficial na última quarta-feira, quando divulgou um comunicado para apresentar sua defesa preliminar no caso, garantindo que agiu "dentro da lei" com as obrigações fiscais na contratação do brasileiro. Na ocasião, o clube também prometeu que estará totalmente disposto a colaborar com a Justiça, "como esteve desde o primeiro momento ou em qualquer outro em que seja requisitada a sua intervenção".

CONTRATO ABERTO AO PÚBLICO

Contratado em maio de 2013, Neymar viu o seu pai e o Barcelona revelarem, apenas em janeiro deste ano, que já tinham um acerto preliminar com o atacante desde 2011, quando o clube adiantou o pagamento de 10 milhões de euros para ter prioridade de ficar com ele quando acabasse seu vínculo com o Santos, vigente na época e com previsão de acabar apenas na Copa do Mundo de 2014.

Na última quarta-feira, por sinal, Neymar resolveu desabafar por meio de sua página no Instagram, rede social no qual ele tem quase 4 milhões de seguidores, com o objetivo de criticar a diretoria do Santos e para dizer que está "de saco cheio" de toda polêmica envolvendo sua venda para o Barcelona. Ele rebateu uma entrevista do presidente licenciado do Santos, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, ao SporTV, na qual o dirigente criticou o pai de Neymar. "Ele negou todas as vezes que tivesse recebido um tostão do Barcelona, o que é uma demonstração de falta de caráter imperdoável, na minha opinião", atacou Luis Alvaro.

O atacante respondeu de forma contundente ao se referir ao dirigente. "Se ele (Luis Alvaro) pensou que meu pai era burro, se enganou muito. Sou fã e continuo sendo do meu pai por ter me colocado onde estou. Se ele ganhou milhões, qual o problema? Ele trabalhou e não ficou esperando nada cair do céu", escreveu Neymar.

O Santos se queixa principalmente do fato de que o pai do atleta ficou com a maior parte do dinheiro que o Barcelona investiu para contratar o jogador. Na versão oficial do clube catalão, 40 milhões de euros foram pagos à empresa N&N (dos pais de Neymar) pela prioridade para ter o atacante quando o contrato com o Santos chegasse ao fim, em 2014.

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