Edgard Garrido/ Reuters
Edgard Garrido/ Reuters

Contratado pelo Real, revelação rejeita apelido de 'Messi Japonês'

Kubo, de 18 anos, atuará na próxima temporada no clube de Madri e não gosta de ser comparado ao craque do Barcelona

João Prata, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2019 | 04h30

Takefusa Kubo, 18 anos, é a principal promessa do futebol japonês. É um jogador que tem no currículo passagem pelas categorias de base do Barcelona e está de malas prontas para voltar à Espanha, mas desta vez para atuar pelo Real Madrid - há duas semanas foi contratado para atuar pelo time B espanhol.

Durante a participação do Japão na Copa América, Kubo foi o jogador do seu país mais difícil de tentar conversar na zona mista. Os jornalistas se dividiam, praticamente, em dois grupos para ouvi-lo. Primeiro, ele falava em espanhol fluente com os sul-americanos. "Só penso na Copa América agora. Quando acabar, começarei a pensar no Real Madrid", costumava dizer durante a competição.

As declarações, de uma maneira geral, eram curtas.  O que ele mais teve de responder foi sobre o apelido ‘Messi Japonês’. "Não gosto que me comparem com um jogador tão grande como ele". 

O apelido surgiu nos tempos em que estava no Barcelona. Se olhar para a qualidade do futebol, todos concordam com o garoto japonês, de que não deve haver essa comparação. Mas Kubo tem de fato características semelhantes às do astro da Argentina. Ambos atuaram na base do Barcelona, os dois são canhotos, beiram o 1,70m de altura e têm como principais armas a habilidade e a velocidade.

Com os jornalistas japoneses, ele conversa por mais tempo, e em um tom mais baixo. É uma outra realidade para a imprensa brasileira que costuma tentar ser escutado no grito pelo entrevistado. Cada repórter faz sua pergunta tranquilamente. Kubo, parado, atende a todos.

"Sei que falam muito de mim. Mas não posso ficar me preocupando com isso. Sou só mais um jogador. Jogamos com 11 e não com um", disse o garoto que veste a camisa 21 do Japão. 

Kubo nasceu em Kawasaki, a 25 quilômetros de Tóquio, e começou a jogar bola aos sete anos. Por ser melhor do que os demais, em 2011, recebeu o convite para conhecer o centro de formação dos jogadores do Barcelona e por lá ficou durante três anos. Ele só não fez o primeiro contrato como profissional no clube catalão, com 16 anos, pois não tinha cidadania europeia - no período, o Barcelona foi punido por contratos irregulares com garotos da base. Kubo então acertou com o Tokyo e disputou o Mundial Sub-20 pelo Japão com apenas 15 anos. 

“É o jogador japonês mais promissor da história. Por ter atuado no Barcelona, tem características diferentes dos outros japoneses”, disse Mika Ono, correspondente no Brasil do jornal Sports Nippon. “Como é canhoto e começou no Barcelona teve o apelido”, prosseguiu a jornalista.

O repórter Wataro Funaki, do site Football Channel, discorda da comparação. “Não acho certo. O Messi é mais atacante. O Kubo, meia”, disse. O jornalista também acredita que a promessa japonesa vai demorar para se adaptar ao Real. “Lá a intensidade é muito alta e no Japão o estilo de jogo é mais cadenciado”, analisou. “Mas ele é jovem e no futuro terá chance no time principal do Real Madrid”, encerrou.

SALDO FINAL

Na Copa América, Kubo foi titular na estreia do Japão na derrota para o Chile por 4 a 0. Na segunda rodada, no empate por 2 a 2 com o Uruguai, começou na reserva e entrou no segundo tempo. O jovem de 18 voltou a começar a partida na igualdade por 1 a 1 com o Equador, resultado que eliminou a seleção japonesa da competição. 

O garoto voltou na noite de terça-feira com a delegação japonesa para Tóquio. De lá deverá seguir para a Espanha e se apresentar ao Real Madrid. Na Copa América, ficará a torcida para "Uruguai ou Chile, um dos que estavam no nosso grupo", disse.

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