Tasso Marcelo/Estadão
Tasso Marcelo/Estadão

Controle de doping durante a Copa do Mundo será feito na Suíça

Sem laboratórios de confiança no Brasil, casa da Fifa começa a testar atletas antecipadamente

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

21 de maio de 2014 | 05h08

SUÍÇA, Epalinges - A Copa já começou, pelo menos num laboratório ultramoderno no interior da Suíça. Dezenas de jogadores já começaram a ter seu sangue e urina colhidos de forma inesperada e as primeiras amostras chegaram nesta semana no centro que vai realizar todos os exames de doping do Mundial. Pela primeira vez na história, todos os atletas serão testados antes de a bola rolar. Mas diante do fracasso do Brasil em ter um laboratório capaz de fazer os exames, o transporte de centenas de amostras até a Suíça vai exigir operação especial e custos extras.

O objetivo da Fifa era o de realizar os testes de doping antes e durante o Mundial no Rio. Mas o Ladetec, laboratório que havia sido selecionado para cumprir essa tarefa, perdeu seu credenciamento na Agência Mundial Antidoping (Wada) depois de erros grosseiros com testes de diversos atletas. Sem poder contar com o trabalho no Rio, a Fifa teve de apelar ao Laboratório Suíço de Análise de Doping (LAD) para assumir a tarefa.

O Estado teve acesso exclusivo ao laboratório que, entre cartazes com a imagem do Fuleco, conta com alguns dos equipamentos tecnológicos mais sofisticados. Em cada sala mantida a uma temperatura ideal. "Não podemos dizer de quais jogadores os testes foram colhidos. Mas podemos confirmar que, pelo menos aqui, a Copa já começou", declarou Martial Saugy, diretor do centro considerado como um dos mais avançados e é o responsável por testar os ciclistas do Tour de France e de outras competições.

Até o dia 12 de junho, a meta do LAD é a de testar todos os jogadores que vão ao Brasil e anunciar os resultados antes de a Copa começar. No Mundial, quatro jogadores a cada partida serão testados.

Os resultados precisam ser informados para a Fifa e para cada seleção em um prazo curto e antes que uma equipe possa escalar o jogador para a próxima partida da Copa. "Teremos de ser muito rápidos", disse Saugy, destacando a dificuldade de fazer o transporte entre um jogo em Manaus, passando por São Paulo, até Zurique e depois mais um trecho por terra.

Quando o Ladetec perdeu seu direito de realizar os testes, a Fifa não disfarçou sua irritação. Cartolas sugeriram que os custos de transporte fossem transferidos aos organizadores brasileiros. Mas, depois de uma longa negociação, a Fifa assumiu todos os custos. Apenas em passagens áreas extras, a Fifa gastará mais de R$ 500 mil.

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