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Convocado para a Itália, Éder 'responde' Mancini gerando embaraço

Brasileiro falou com a imprensa de dentro da concentração

O Estado de S. Paulo

25 Março 2015 | 11h59

Convocado para os dois próximos compromissos da seleção italiana, o atacante brasileiro Éder, da Sampdoria, se viu envolvido em polêmicas antes mesmo de vestir a camisa azul pela primeira vez. Isso porque o técnico da Inter de Milão, Roberto Mancini, foi enfático em sua opinião sobre estrangeiros no time nacional. Para Mancini, a Azzurra deveria sempre ser composta exclusivamente por jogadores nascidos no país.

"A seleção italiana deve ser italiana. Acredito que o jogador italiano merece estar na equipe nacional. Os jogadores não nascidos na Itália não podem jogar na seleção, a não ser que tenham parentes italianos. Essa é a minha opinião", disse o comandante à Ansa, gerando um grande debate sobre a aceitação de jogadores naturalizados na seleção italiana.

Em entrevista concedida ao Diário Catarinense, Éder exaltou o orgulho de vestir a camisa da Itália, disse que não via muitas chances na seleção brasileira e 'respondeu' às criticas de Mancini. Por telefone, direto da concentração italiana, o atacante, que está na Itália desde os 18 anos (hoje tem 28), concedeu a entrevista e gerou um mal estar, isso porque os jogadores são proibidos de falar com a imprensa durante o período de concentração.

"Quatro anos atrás, cheguei na Sampdoria, que é um clube de maior visibilidade. Eu cheguei em um momento difícil, com o clube na Série B. Conseguimos levar o clube para a Série A e estamos indo muito bem. O futebol aqui é diferente e precisa de tempo para as coisas acontecerem", afirmou Éder. Ele ainda exalta a simpatia dos 'medalhões' da Azzurra, que, segundo ele, foram receptivos. "Tem vários atletas que joguei em clubes aqui que foram convocados. Isso ajuda. O que me impressionou foi a humildade dos mais velhos, como o Buffon (goleiro e capitão), que me receberam muito bem", afirmou.

"Eu vejo que atletas que saíram cedo do Brasil não são reconhecidos pela Seleção Brasileira. Agora, que os meninos do Shakhtar Donetsk estão sendo lembrados. O Felipe Anderson está jogando muita bola aqui na Itália, a Europa está de olho. Mas são chamados para a Seleção Brasileira jogadores de uma geração passada. Conheço muito o futebol italiano, não aceitaria o convite de uma seleção qualquer. Quem conhece futebol sabe da importância da Itália, por isso aceitei", afirmou o jogador, campeão estadual pelo Criciúma em 2005.

Éder ainda aproveitou para 'responder' Mancini mesmo sem citar o nome do treinador:  "Tem um preconceito aqui na Itália, mas vemos que Alemanha jogadores de outros países. A mesma coisa na França, com vários africanos. Aqui não tem essa cultura. O treinador é novo e a decisão é dele. Acho besteira, porque o Camoranesi (argentino) ajudou muito a Itália. Espero seguir os passos deles e se conseguir metade do sucesso dele ficarei muito feliz", disse o jogador. Além de Éder, também foi convocado o atacante Vásquez, do Palermo, que nasceu na Argentina mas é filho de mãe italiana.

Após a Copa do Mundo de 2014, Roberto Mancini chegou a ser sondado para suceder Cesare Prandelli no comando da seleção, mas foi Antonio Conte quem acabou assumindo. Éder e Vásques agora trabalham para ter uma oportunidade contra a Bulgária, dia 28 de março, pelas Eliminatórias da Euro, e Inglaterra, em amistoso em Turim, no dia 30. "O Conte usa um esquema 3-5-2. Então são apenas duas vagas de ataque. Às vezes ser convocado pela primeira vez não é o mais difícil, o mais complicado é continuar sendo chamado", concluiu o brasileiro.

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