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Convocado pela Croácia, brasileiro Eduardo pretende cantar os dois hinos

Atacante é nome certo entre os 23 que o adversário do Brasil na estreia trará para a Copa do Mundo

Sílvio Barsetti, O Estado de S. Paulo

15 de maio de 2014 | 07h01

RIO - A lista dos convocados para a seleção da Croácia, embora ainda não seja definitiva, alterou a rotina de Joelma Alves, mãe de Eduardo da Silva, atacante do Shakhtar Donetsk, de 31 anos. O carioca naturalizado croata é um nome certo na relação final do técnico Niko Kovac para a Copa do Mundo.

"Ainda não falei com ele. Foi uma aflição acompanhar a convocação pela internet", disse Joelma, que é pedagoga e mora na Vila Kennedy, uma das comunidades mais violentas da zona oeste do Rio - lá será instalada neste mês uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora).

Para a estreia do Brasil no Mundial, contra a Croácia, na Arena Corinthians, Joelma vai levar uma comitiva de parentes. Todos com uma camisa que mistura as cores das bandeiras dos dois países. "O Brasil pode vencer por 2 a 1 ou 3 a 2, desde que meu filho faça pelo menos um gol."

Joelma mora com outro filho, Bruno, de 24 anos. Em conversa com o Estado por telefone, ela lembrou de momentos de indefinição na carreira de Eduardo. "Ele tinha 16 anos quando recebemos a visita de um olheiro, que queria levá-lo para a Croácia. Eu não aceitava. Meu medo era pela vida dele, achava que podiam fazer algo ruim, sei lá, envolvê-lo em prostituição, em tráfico de órgãos."

Mas a persistência de Eduardo, que despontara em campeonatos de favelas no Rio, falou mais alto. "Ele me disse: 'Mãe, é o meu sonho', e aí choramos juntos e não pude dizer não." A decisão se deu na presença de um juiz, uma vez que o pai de Eduardo é dado como desaparecido há vários anos. Depois disso, o atacante se tornou atração do Dínamo Zagreb, em que ficou de 1999 a 2007, com breve interrupção entre 2002 e 2003 para atuar no Zapresic.

Ao longo desse período, marcou 101 gols pelos dois clubes, aumentou sua identificação com o país e se naturalizou em 2002. Chegou à seleção croata em 2004 e por pouco não esteve no Mundial de 2006. Era considerado inexperiente pelo então técnico da equipe, Zlatko Kranjcar. A Croácia não se classificou para a Copa de 2010.

Entre 2007 e 2010, Eduardo jogou pelo Arsenal. Na Inglaterra, viveu o pior momento de sua carreira. Em um jogo contra o Birmingham City, em fevereiro de 2008, sofreu fratura exposta na fíbula esquerda. A recuperação levou 12 meses e muitos não acreditavam em sua volta. "Chegar a um Mundial é a maior recompensa por tudo o que ele passou. Meu filho é um exemplo de superação."

A ida para o Shakhtar Donetsk, em 2010, foi coroada com vários títulos - o último, o do Campeonato Ucraniano conquistado no domingo. "Não sei se vou poder vê-lo. A Croácia não permite visitas. Vou tentar invadir o vestiário", brincou Joelma, antes de revelar que o filho está ansioso para a estreia. "Ele quer cantar os hinos dos dois países no Itaquerão."

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