Yuri Cortez/AFP
Cristiano Ronaldo será a principal estrela do torneio na Rússia Yuri Cortez/AFP

Copa das Confederações começa sem empolgar, mas com brilho de CR7

Seleção alemã reserva e ausência de mais equipes competitivas deixam torneio apenas com Cristiano Ronaldo de protagonista

Ciro Campos, O Estado de.S. Paulo

16 de junho de 2017 | 23h00

O evento-teste para a Copa do Mundo da Rússia começa neste sábado, em São Petersburgo, com uma versão reduzida de participantes, estádios, craques e prestígio. A Copa das Confederações se inicia com o confronto entre a seleção da casa e a Nova Zelândia, e sem grandes personagens. Com a atual campeã mundial Alemanha representada por reservas, o torneio tem como grande astro o português Cristiano Ronaldo e a desconfiança sobre o envolvimento do público com a disputa.

Após levar o país à conquista da Eurocopa, no ano passado, o astro do Real Madrid desembarca na Rússia para uma competição desfalcada de nomes importantes. Enquanto na edição anterior, no Brasil, em 2013, as tradicionais Espanha, Itália e Uruguai enviaram os elencos principais para medir forças com a seleção brasileira, agora na Rússia o comitê organizador já sentiu o golpe semanas atrás, ao saber da lista da convocação alemã.

"O coração dos fãs de futebol sangra quando os atuais campeões do mundo jogam sem suas estrelas. A presença deles atrai pessoas aos jogos. Mas temos de aceitar isso", lamentou, semanas atrás, o chefe do Comitê Organizador da Copa do Mundo, Alexei Sorokin. 

A baixa procura por ingressos das Confederações ainda é um temor. Até o começo desta semana, haviam sido vendidos 70% dos cerca de 700 mil bilhetes à disposição dos torcedores.

A Copa das Confederações é organizada pela Fifa para testar o país para a Copa no ano seguinte. Realizada desde 1997, a edição russa será a primeira da história sem a presença do Brasil. Por ter vencido a Copa América em casa, em 2015, o Chile é um dos representantes continentais, assim como México, Portugal, Camarões, Nova Zelândia e Austrália, que disputa os torneios pela Ásia. A Rússia ganhou vaga por ser o país-sede e a Alemanha, por ser a campeã do mundo em 2014.

Por opção do treinador alemão Joachim Löw, nenhum dos titulares da conquista de 2014 foi convocado. As estrelas ganharam descanso. Todos os 23 alemães têm menos de 30 anos. Sete deles estão pela primeira vez com a seleção. Por isso, em termos de renome, o time chileno é quem aparece logo atrás de Portugal, ao levar à Rússia nomes como Sánchez e Vidal.

Potência entre as nações vizinhas, o México participa pela sétima vez do torneio e pode surpreender. Camarões venceu a Copa Africana de Nações como zebra e deve ser figurante na competição, assim como as frágeis Nova Zelândia e Austrália.

CLIMA MORNO

A seleção russa joga para conquistar credibilidade. A equipe vem de eliminações na primeira fase na Copa de 2014 e na Eurocopa de 2016, resultados que causaram troca de técnicos. O futebol não é o esporte preferido do país, apesar de a liga local ter clubes ricos e empregar todos os 23 convocados. Mesmo assim, o elenco não leva confiança ao torcedor. Em quatro amistosos neste ano, a Rússia conquistou só uma vitória, contra a Hungria.

"O torcedor russo é muito crítico. Vamos ter de jogar bem, passar confiança, para só depois conquistar o público para nos apoiar", disse ao Estado o goleiro da seleção russa, Guilherme Marinato

O mineiro de 31 anos está há dez no país e se naturalizou em 2015. "A Copa das Confederações será muito importante para pegarmos experiência. É difícil fazer alguma previsão agora, mas o time é competitivo", afirmou o jogador.

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Seleção envia comissão técnica à Rússia para analisar rivais e instalações

Técnico Tite e colegas da CBF querem avançar na escolha por uma sede para usar de casa durante o Mundial de 2018

Marcio Dolzan, Rio, O Estado de S. Paulo

16 de junho de 2017 | 23h00

Fora da Copa das Confederações pela primeira vez, a seleção brasileira enviará (parte de) sua comissão técnica à Rússia para avaliar possíveis adversários e conhecer algumas das instalações da Copa do Mundo do próximo ano. 

O analista de desempenho do Brasil, Fernando Lázaro, já está na Rússia. Ele viajou da Austrália, onde a seleção jogou amistosos com a Argentina e os donos da casa, direto para o país europeu e irá acompanhar a primeira fase da competição. O técnico Tite e o coordenador de seleções, Edu Gaspar, por sua vez, voltaram ao Brasil e viajam a Rússia somente para assistir às semifinais e a decisão da Copa das Confederações. "Temos demandas na CBF que nos impedem de ficar muito tempo longe", justificou Edu.

Tite nunca escondeu o desejo de disputar a competição – o Brasil ficou de fora pela primeira vez por não ter conquistado a Copa América de 2015 ou a última edição da Copa do Mundo. Mesmo que ressalte a importância dos amistosos, o treinador já disse em entrevistas que colocar o time nacional para disputar competições seria uma boa forma de preparar o time para a Copa.

Sem poder colocar o time em campo, o técnico vai aproveitar para estudar possíveis adversários no Mundial do ano que vem. Por ora, apenas a Rússia está garantida. Tite também aproveitará os dias no país da Copa para conhecer a estrutura que aguarda o Brasil no próximo ano, bem como avaliar de perto o provável local que servirá de base para a seleção.

Integrantes da comissão técnica da seleção brasileira já estiveram três vezes na Rússia para avaliar os hotéis e centros de treinamento. Por exigência da Fifa, o Brasil já indicou dois lugares que podem servir de "casa" para a seleção no próximo ano. Os locais, no entanto, são mantidos em sigilo porque a comissão técnica não está plenamente satisfeita com o que foi apresentado. Existe a esperança de que outros CTs sejam oferecidos a partir de setembro, quando terminam as Eliminatórias europeias. Nesse caso, locais reservados por equipes que forem eliminadas ficarão vagos.

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Terrorismo, política e racismo deixam Rússia em alerta

Assim como a edição de 2013, no Brasil, Copa das Confederações se insere em contexto de tensão no país-sede

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

16 de junho de 2017 | 23h00

A Copa das Confederações será mais um termômetro do que apenas um teste para o Mundial. Embora quatro cidades vão avaliar suas condições gerais para receber a Copa de 2018, os organizadores locais e a Fifa vão dispensar atenção especial ao ambiente na Rússia. A proximidade de eleições presidenciais, marcadas para 2018 também, a segurança e o temor com casos de racismo nos estádios são as grandes preocupações para o evento.

Na última segunda-feira, por exemplo, cerca de 1,5 mil pessoas foram presas durante protestos em Moscou e São Petersburgo, cidades que recebem partidas das Confederações. Segundo as agências de notícias internacionais, o líder opositor Alexei Navalni convocou as manifestações para reclamar de corrupção do governo do presidente Vladimir Putin. Navalni deve ser candidato ao pleito presidencial do próximo ano.

Curiosamente, a situação de protestos se assemelha à vivida na última edição do torneio. Em 2013, no Brasil, as principais cidades tiveram passeatas contra os gastos do governo para trazer a competição. As manifestações daquela ocasião fizeram surgir o rito do hino nacional à capela antes dos jogos da seleção brasileira, cantado pela primeira vez na partida em Fortaleza, contra o México, em dia de bastante tensão gerada pela mobilização nas ruas da capital.

O governo russo está atento ao risco de confusões, principalmente após o atentado de abril no metrô de São Petersburgo matar 14 pessoas. As autoridades decidiram obrigar os estrangeiros a um procedimento inédito para a Copa do Mundo. Quem vier de fora do país, terá de se cadastrar em um site e fazer uma espécie de carteira de identidade. O intuito é facilitar a busca por possíveis suspeitos de envolvimento em brigas.

Os jogos terão observadores antidiscriminação, que vão identificar manifestações de preconceito e comunicar o árbitro para paralisar a partida ou pedir o anúncio público no estádio como advertência. Os telões vão exibir vídeos com mensagens contra a discriminação, de qualquer tipo. Possíveis incidentes serão encaminhados para análise do Comitê Disciplinar. "São mudanças inovadoras na luta global contra a discriminação", diz o presidente da Fifa, Gianni Infantino.

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