Copa de 2014 tem mais toque de bola do que Mundial da África

Campeã Alemanha substituiu Espanha como a equipe que mais passes trocou nesta edição do Mundial

Pedro Hallack – especial para O Estado de S. Paulo, O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2014 | 10h20

A eliminação da Espanha na primeira fase da Copa do Mundo de 2014 marcou para muitos o fim de um estilo que foi soberano no futebol entre os anos de 2008 e 2012; o tiki-taka, baseado no controle da posse de bola através de toques curtos e intensa movimentação no setor de meio-campo. Mesmo assim, alguns números mostram que a decadência espanhola não fez com que o nível técnico da competição caísse.

Na Copa de 2010, que consagrou a geração comandada pelos meias Xavi e Iniesta, a média de passes por partida – incluindo lançamentos e passes mais longos – foi de 1007,5. Com índice de 71% no acerto de passes, a média de toques corretos foi de 704,9 por jogo. A Copa de 2014 registrou média de 1038,7 passes por partida. Com 791,4 de passes certos, o índice de acerto foi de 76%.

No Mundial da África do Sul, a Espanha terminou muito à frente das demais no quesito de passes certos por jogo. A média foi de 561,3, bem acima de Argentina e Brasil, com 458,8 e 450,8, respectivamente. O meia Xavi, pilar do tiki-taka tanto na seleção espanhola quanto no Barcelona, foi o grande responsável pela estatística, com média de 77,7 passes certos por partida. Na atual edição do torneio, Xavi, já com 34 anos, atuou apenas no primeiro jogo da Espanha no torneio, na trágica derrota por 5 a 1 para a Holanda, em Salvador. Na ocasião, o meia conseguiu completar 73 passes.

O curioso é que, mesmo sendo eliminada na fase de grupos e vendo Xavi cair de produção, a Espanha aumentou a sua média para 567,7 passes completados por duelo.

Além de roubar dos espanhóis o título de campeã da Copa do Mundo, a Alemanha superou a Espanha na troca de passes. Os alemães foram os líderes do torneio no quesito, com 593,8 passes corretos por partida. Na Copa de 2010, os germânicos ficaram em quarto lugar neste ranking, com média de 409,3 passes certos por confronto.

A mudança no estilo de jogo alemão, que ficou marcado por um fortíssimo contra-ataque em 2010, tem muito a ver com o trabalho do técnico Pep Guardiola no Bayern de Munique, iniciado em meados do ano passado. Guardiola, que teve passagem vitoriosa pelo Barcelona entre 2008 e 2012, aplicou muitos dos conceitos do seu Barça – clube símbolo do tiki-taka – no clube alemão. O treinador, por exemplo, deu ao técnico meia Toni Kroos, destaque da Alemanha atual, vaga cativa no meio-campo do Bayern, por exemplo.

Outra medida importante foi o deslocamento de Philipp Lahm da lateral-direita para o meio-campo, opção que também foi feita pelo técnico Joachim Löw nos quatro jogos iniciais da Alemanha no Mundial. Lahm e Kroos, inclusive, são os líderes na média de passes certos na seleção, com números de 80,3 e 76,7, respectivamente. Em 2010, Schweinsteiger, com média de 61,1 passes certos por jogo, foi o alemão que melhor distribuiu a bola há quatro anos. Sua média aumentou para 68,7 nesta edição.

TIKI-TAKA

Apesar de ser considerado chato e monótono por muitos, o tiki-taka encantou a maioria do planeta em seu auge. Para a Espanha, foi o estilo que ditou o ritmo nos títulos da Eurocopa de 2008, sob o comando técnico do já falecido Luis Aragonés, – considerado o pai dessa forma de jogar – da Copa do Mundo de 2010, já com Vicente Del Bosque de treinador, e da Eurocopa de 2012.

Técnico do Barcelona durante quatro anos, tendo assumido a equipe pouco após o título europeu da Espanha em 2008, Guardiola aproveitou a base da seleção, que jogava no Barça, para aperfeiçoar o tiki-taka. O agora comandante do Bayern de Munique deu ao esquema ainda mais intensidade, impondo aos adversários marcação por pressão sufocante e maior dinamismo na movimentação de toda a equipe.

Guardiola também foi 'abençoado' pela presença do melhor jogador dos últimos anos em seu plantel; o argentino Lionel Messi. Se, de um lado, o técnico foi um dos responsáveis pela evolução no futebol do craque, Messi, por outro, deu ao tiki-taka a profundidade e a agressividade que faltaram à Espanha em alguns momentos. Com a dupla, o clube catalão conquistou duas Ligas dos Campeões da Europa e dois Mundiais da Fifa nos anos de 2009 e 2011; o tricampeonato Espanhol entre 2009 e 2011, e duas Copas do Rei, conquistadas em 2009 e 2012.

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